Enrique Vila-Matas: "No mundo de hoje a literatura não tem a menor importância"

Escritor espanhol lança “Ar de Dylan” na Flip e fala sobre obsessão em entender o fracasso

Valmir Moratelli , enviado a Paraty |

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O escritor espanhol Enrique Vila-Matas

“Ar de Dylan” é o novo romance de Enrique Vila-Matas, um dos escritores espanhóis contemporâneos mais festejados no mundo. Vila-Matas está na Flip , onde participa pela segunda vez (a primeira foi em 2004). Durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (5) em Paraty, o escritor falou sobre o livro que conta a tentativa de um professor que, ao ser convidado para dar uma palestra numa universidade, tenta fracassar. Só depois se sabe os motivos que o levam a agir dessa forma.

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“Tenho fascínio pelo fracasso. Paixão pelo que é negativo, o não conseguir, o não suicídio, o que está por trás disso, quais os limites mais obscuros do pensamento. Os temas de literatura são sempre os mesmos”, diz. “É uma pena que tenham acabado com o filme em película. Gostava da complementação entre positivo e negativo. Agora é tudo positivo. Me proponho a duvidar de tudo que seja penas positivo, quero e busco o lado negativo dessas coisas.”

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O espanhol falou ainda da forma como encara a literatura. “O escritor é como um espião, passa horas na janela vendo uma nuvem passar. É uma forma de vida. No mundo de hoje a literatura não tem mais a menor importância. Quando viajo de avião, reparo. Não há quase ninguém lendo um livro naquele tempo ocioso. Há uma crise geral do pensamento. A literatura contemporânea não interroga sobre o que se propõe”, critica ele.

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Capa de 'Ar de Dylan', de Enrique Vila-Matas

Enrique Vila-Matas é comparado, diversas vezes, a Jorge Luis Borges. Título que ele rejeita com educação. “A comparação é descabida, porque Borges é simplesmente o melhor escritor de língua espanhola do século 20. Logo, não tenho por que me achar parecido a ele.”

Entre suas formas de escrever, Enrique Vila-Matas conta que usa o papel, o computador, a impressora, rabiscos para manuscritos e, se pudesse, escrevia até em pinturas. Quando viaja, como é o caso de estar em Paraty, prefere arejar a cabeça, não pegar em textos.

“Acontece quase sempre de estar em casa e não ter ideia alguma do que escrever. É só colocar os pés para fora para vir uma conexão de algo que já tinha pensado antes. Daí volto imediatamente para não esquecer”, relata.

Enrique Vila-Matas estará, após a Flip, em São Paulo. Na próxima terça-feira (10), na livraria Cultura, no Conjunto Nacional, para autografar seu livro, a partir das 19h30.

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