Viúva de José Saramago fala com exclusividade ao iG

A jornalista espanhola Pilar Del Rio está no Rio para o lançamento do documentário 'José e Pilar', do português Miguel Mendes

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

A imagem de homem durão de José Saramago deu lugar a de homem apaixonado. Um olhar ou sorriso revela a cumplicidade que o Nobel de literatura que morreu em junho tinha com a sua mulher, a jornalista Pilar Del Rio. E é com essa tônica que o diretor português Miguel Mendes desenvolve seu documentário “José e Pilar”, que teve sua sessão especial, nesse sábado (25), no Espaço de Cinema, no Festival do Rio.

No filme, que mostra o processo de escrita de “A viagem do elefante”, passando por sua publicação e o seu lançamento no Brasil, é possível ver a importância de Pilar para Saramago. “14 de junho: de volta a Lanzarote. Nesse mesmo dia faz anos que conheci Pilar. Entro em casa com alegria”, afirma Saramago.

Mas quem é essa mulher tão importante na vida desse escritor? O iG conversou com a jornalista espanhola minutos antes dela assistir pela primeira vez a versão final do filme e ela contesta a afirmação do autor que a vida dele não seria a mesma sem ela. “Isso ninguém pode falar ou dizer. Não sabemos. Todos os seres humanos influenciam uns aos outros”, afirmou.

Confira abaixo a entrevista: 

George Magaraia
Pilar Del Rio, viúva de José Saramago, durante o Festival do Rio


iG: O documentário “José e Pilar” demorou quase quatro anos para ser feito. Você e o Saramago viram o resultado final?

Pilar: Não. Já tínhamos vistos alguns trechos. Essa vai ser a primeira vez que vou assistir e tenho certeza que vai ser belíssimo, porque o diretor é muito bom. O José viu partes, ainda faltava a música, e ficou muito satisfeito com o trabalho do diretor, Miguel Mendes.

iG: Como foi o processo de filmagem?

Pilar: Foram vários anos que o Miguel nos acompanhou. Foi um processo muito interessante porque a câmera estava com a gente, não o tempo todo, mas em momentos importantes como viagens, algumas intimidades...

iG: Tem alguma cena em especial que te agradou mais ou a deixou mais emocionada?

Pilar: Esse documentário tem cenas belíssimas, principalmente as que mesclam textos ou depoimentos do José... Ele era um intelectual de respeito, com grandes ideias.

iG: Saramago deixou um texto inacabado e que muitos esperam lê-lo. Você pretende publicá-lo?

Pilar: É um grande texto, com profundidade e humor, que merece que seja publicado. Como? Quando? De que maneira? Isso, eu não sei quando acontecerá, estamos vendo...

iG: Ele também foi o único autor de lingua portuguesa a ganhar um prêmio Nobel da literatura. Acha que algum outro pode alcançar esse posto?

Pilar: Acho que sim. Temos uma boa gama de autores que estão fazendo belos romances, que dominam a língua. Poderia falar alguns nomes tanto brasileiros quanto portugueses. Chico Buarque tem trabalhos lindíssimos, enquanto português poderia citar todos os autores que ganharam o Prêmio José Saramago de literatura, como Gonçalo Tavares, José Tordo, entre outros.

iG: Tem uma cena no filme que Josè Saramago diz que a vida dele não seria a mesma sem você...

Pilar: Isso ninguém pode falar ou dizer. Não sabemos. Todos os seres humanos influenciam uns aos outros.

iG: Qual foi o maior ensinamento que José Saramago trouxe para você?

Pilar: Um idioma: o português. Eu não falo, mas o traduzo. Minha contribuição para o português é a tradução da obra dele para mais 500 milhões de pessoas.

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