Vik Muniz: ¿Vendo quadros por até 200 mil dólares¿

Artista plástico emociona público do Festival ao contar seu trabalho em "Lixo Extraordinário"

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Obras feitas de material reciclado são o tema central do documentário “Lixo Extraordinário”, dirigido pela britânica Lucy Walker e pelos brasileiros João Jardim e Karen Harley. Vasilhames, garrafas PET, pneus, roupas e sapatos velhos... Tudo que se encontra no lixo pode virar obra de arte. E mais. Obras que chegam a custar a bagatela de 200 mil dólares. O brasileiro Vik Muniz já expôs sua arte nos quatro cantos do planeta. “Mais fácil é você me perguntar onde eu não fui parar”, diz ele, sem falsa modéstia.

E nem precisa. Vik é hoje, seguramente, um dos artistas plásticos mais badalados do mundo. Sua arte foi parar até na abertura da novela global “Passione”. Tudo começou a partir de um projeto que instalou em 2006 no Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário em volume de lixo do mundo, localizado na Baixada Fluminense.

George Magaraia
Vik Muniz posa na praça da Cinelândia, em frente ao cine Odeon, sem se importar com o lixo da rua

Vik recrutou pessoas que trabalhavam no lixão, em condições subumanas e, daí em diante, se envolveu com as histórias de vida de algumas delas. Fotografou-as em algumas situações – desde simples retratos do cotidiano de suas tarefas a reproduções de pinturas conhecidas. Era o começo de uma série de obras que iriam parar em grandes museus do mundo, como o MoMA, de Nova York.

O filme emociona ao mostrar como aquelas pessoas tiveram sua auto-estima recuperada com o processo do trabalho de Vik. Em entrevista ao iG , após a primeira exibição pública do documentário, o artista se mostrou realizado. “Estou muito feliz. Não diria que é um trabalho social, porque é antes de mais nada uma obra de arte. É para isso que estamos todos aqui”, disse ele.

Na plateia, catadores de lixo que ajudaram o artista a se projetar internacionalmente com sua arte. No filme fica claro que o trabalho do artista – ao contrário de um fotógrafo ou de um pintor “tradicional” – depende, e muito, da paciência e da meticulosidade de sua equipe. Vik fica do alto do segundo andar orientando os funcionários a colocarem os objetos sobre fotografias gigantes no chão de um galpão. Só assim as curvas vão ganhando formas compreensíveis.

As palmas calorosas ao final da exibição eram para Vik, mas não só para ele. 

George Magaraia
Vik teve seu trabalho retratado no documentário ¿Lixo Extraordinário¿

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