Único nordestino na competição, "Trampolim do Forte" tem crianças como protagonistas

Filme de João Rodrigo Mattos aborda o trabalho e a exploração infantil no nordeste brasileiro

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Uma grande responsabilidade coube ao filme “Trampolim do Forte”, do diretor João Rodrigo Mattos, que teve sua exibição nessa quarta-feira (29), no Cine Odeon, no Centro do Rio. Este é o único filme nordestino na Mostra Competitiva de Longas de Ficção do Festival do Rio. “Talvez essa seja a maior vitrine do cinema nacional. Vários filmes brasileiros alçaram vôos maiores depois de participaram e é isso o que queremos: que o filme seja visto, por públicos diferentes e que as pessoas discutam sobre isso”, disse o diretor.

Láraro Ramos, baiano, foi prestigiar a sessão. “Sempre venho ao Festival do Rio e, hoje, tem um motivo especial: um filme baiano está participando dele”, disse o ator que acabou de gravar o filme “O grande kilape”, em Portugal. Jonathan Haagensen também falou sobre a importância social do filme. “O futuro está na molecada. É importante falarmos deles”.

Produzido no final de 2008 em Salvador, o longa narra a histórias de crianças que vivem em situações limites. Na verdade trata-se de um filme sobre a importância da infância, ameaçada pela exploração sexual e do trabalho infantil. “Estamos representando milhares de crianças brasileiras”, falou a menina Laís Rocha, que está no elenco do filme, que ainda conta com Luiz Miranda e Zéu Britto, ambos nordestinos.

“Faço a travesti Funclube e foi o personagem que mais exigiu de mim. Ela não podia ser caricata. Além disso, a preparação foi muito dolorosa: fiz depilação e tive que andar de salto”, contou Britto.

Arte com lixo

Já na sessão das 19h, do filme “Lixo Extraordinário”, o público ovacionou o artista plático Vik Muniz e o catador de lixo Tião. “Esse filme mostra que o Brasil precisa de políticas públicas para a inclusão social e para o tratamento do lixo”. Muitas pessoas saíram da sessão chorando, emocionadas.

“Quando imaginei que ia trabalhar com lixo, sabia que ia lidar com meus próprios preconceitos. Esse projeto demorou três anos para ser feito, mas mudou a minha visão do mundo”, afirmou Vik, que é hoje um dos artistas plásticos mais badalados do mundo. No final da sessão, o público ganhou uma bolsa com cartaz do filme, bloco e uma muda de planta - o que reforça a mensagem do documentário em sua conscientização ambiental.

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