¿Rio Sex Comedy¿ é comédia maluca pouco engraçada

Jonathan Nossiter tenta fazer crítica sobre a relação dos estrangeiros com o Brasil, mas sem contundência

Mariane Morisawa, especial para o iG |

O americano Jonathan Nossiter é casado com brasileira e vive no Rio há muitos anos. Em “Rio Sex Comedy”, ele tenta fazer uma crítica bem-humorada à relação dos estrangeiros com o Brasil. Na apresentação da sessão de gala na noite desta sexta-feira (1º) no cine Odeon, ele avisou que os politicamente corretos poderiam sair da sala antes mesmo da exibição. Não era para tanto. Seu filme é menos politicamente incorreto do que desnorteado.

Nossiter aventurou-se a fazer um filme à Sergio Bianchi, o diretor de “Cronicamente Inviável” conhecido pelas críticas ácidas à sociedade brasileira. Mesmo que não se goste de Bianchi, ele não poupa nada nem ninguém e é capaz de verdadeiramente provocar e fazer pensar em coisas novas. “Rio Sex Comedy”, por outro lado, fica no meio do caminho entre uma comédia maluca pouco engraçada e a crítica social sem muito pulso, perdendo totalmente a contundência. O diretor também não consegue apresentar um ângulo novo, dizendo apenas aquilo que quem tem um mínimo de noção já sabe.

À trama: Bill Pullman interpreta o embaixador americano, que, sentindo-se inútil, resolve escapar da vigilância e embrenhar-se no Vidigal, passando depois à Rocinha e à Tavares Bastos com a ajuda do malandro Fish (Fisher Stevens), dono de um tour pelas favelas. O embaixador encontra-se com a gente do local, em momentos semidocumentais, e resolve ajudá-los fundando uma ONG para resolver os problemas básicos da população. Só que ele descobre que as empresas estão mais interessadas em projetos absurdos, como entregar rosas vermelhas a traficantes. Já Fish traz da Amazônia a namorada Iracema e toda a sua família, que ainda andam seminus em pleno Rio de Janeiro.

A cirurgiã inglesa Charlotte (a sempre ótima Charlotte Rampling) viaja ao Brasil para tentar convencer as brasileiras a aceitarem-se como são. A francesa Irène (Irène Jacob) investiga num filme antropológico a relação das empregadas domésticas com os patrões e envolve-se com seu cunhado Robert, seu câmera. Há críticas óbvias à sociedade brasileira – desigualdade social, separação entre ricos e pobres, ausência de vontade de resolver os problemas básicos –, mas, ao contrário dos filmes de Bianchi, os gringos são aqueles que fazem as besteiras. No fundo, porém, fica a ideia do paraíso tropical onde tudo é permitido e onde todo o mundo enlouquece.

    Leia tudo sobre: festival do riorio sex comedy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG