Reta final do Festival do Rio cheia de bons filmes

Obras exibidas nos maiores festivais internacionais estão em cartaz na última semana do Festival do Rio

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
O Festival do Rio oferece boas opções de filmes até quinta-feira (20)
As grandes vedetes do Festival do Rio , além da Première Brasil, claro, são os filmes exibidos nos festivais internacionais, principalmente Berlim, Cannes e Veneza. Pois ainda dá para ver vários deles nesta reta final do evento carioca: Andrea Arnold impressiona com sua versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”, escrito por Emily Brontë. “Wuthering Heights” não só tem o primeiro Heathcliff negro do cinema (Solomon Glave quando adolescente e James Howson na fase adulta) como praticamente prescinde das palavras e investe nas imagens que trazem a natureza para a tela – a fotografia de Robbie Ryan foi premiada no último Festival de Veneza. Sessões na terça-feira (18), no Estação Vivo Gávea 5, às13h, 17h20 e 21h50.

É esquisito o personagem interpretado por Sean Penn em “Aqui é o Meu Lugar”, dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino e exibido em competição no Festival de Cannes 2011. Um ex-roqueiro à la Robert Smith, da banda The Cure, ele vaga pela vida em sua triste fantasia. Quando seu pai morre, Cheyenne continua sua busca pela vingança contra o oficial nazista que o humilhou. O diretor é cheio de estilo, como já tinha provado em “Il Divo” e “As Consequências do Amor”. Sessões na quarta-feira (19), no Estação Sesc Ipanema 2, às15h30 e 19h40; e na quinta-feira (20), no Estação Vivo Gávea 2, às 13h40 e 20h.

“Post Mortem”, do chileno Pablo Larraín, exibido no Festival de Veneza de 2010, também tem um protagonista estranho. O filme disseca a trágica história recente do país por meio de um funcionário do Instituto Médico Legal, sem amigos ou família, numa interpretação brilhante de Alfredo Castro. Ele se apaixona por uma vizinha à medida que mais e mais corpos chegam para ser autopsiados depois do golpe, inclusive o do ex-presidente, Salvador Allende. Sessão na terça-feira (18), no Cine Santa, às19h.

A morte também ronda “Inquietos”, de Gus Van Sant, que abriu a mostra 'Um Certo Olhar no último Festival de Cannes'. Mas, aqui, ela de alguma forma aparece mais leve, no romance entre Enoch Brae (Henry Hopper, filho de Dennis Hopper), um rapaz fascinado pela morte, e Annabel Cotton (Mia Wasikowska), que sofre de uma grave doença. Delicado e tocante. Sessões na terça-feira (16h30 e 21h30, no Roxy 2), quarta (15h10 e 19h20 no Estação Sesc Ipanema 1) e quinta (15h20 e 19h40 no Estação Vivo Gávea 5).

Monte Hellman é idolatrado por muitos cineastas, como Quentin Tarantino. “Caminho para o Nada”, exibido no Festival de Veneza 2010, é ambientado num set de filmagem, onde um jovem cineasta tenta lidar com as várias questões de produção quando um crime acontece. É interessante, apesar de seus personagens pouco simpáticos. Sessões na terça (21h40 no Estação Sesc Ipanema 1), quarta (13h20 e 20h no Estação Vivo Gávea 2) e quinta (16h45 e 23h30 no Estação Sesc Rio 2).

Gira em torno das mulheres, como indica o título, “La Source des Femmes”, de Radu Mihaileanu, exibido em competição no Festival de Cannes 2001. Algumas das maiores atrizes de origem árabe, como Hiam Abbass, Hafsia Herzi e Leila Bekhti, são protagonistas do filme sobre a luta das mulheres de uma pequena comunidade para deixar de subir a montanha para pegar água, enquanto os homens jogam no bar. É meio folhetinesco, mas diverte. Sessões na terça (16h30 e 21h30 no São Luiz 4) e quarta (14h20 e 19h no Estação Sesc Rio 1).

Também tem um quê de novela “A Separação”, do iraniano Ashgar Farhadi, vencedor do Urso de Ouro em Berlim. Mas os resultados são bem superiores. O longa forma um painel da sociedade iraniana hoje ao mostrar a briga do casal formado por Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami). Ela quer deixar o país, ele não quer abandonar o pai doente. Sessões na terça (14h30 e 21h15 no Estação Sesc Rio 2) e quarta (15h20 e 19h50 no Estação Vivo Gávea 3).

O principal concorrente de “A Separação” em Berlim foi “O Cavalo de Turim”, do húngaro Béla Tarr. É um fiapo de história: um homem que mora com sua filha numa casa no meio do nada tenta sair com seu cavalo para trabalhar na cidade, mas é impedido pela ventania incessante. As ações se repetem diariamente, com variações pequenas, mas significativas. Além de ser um dos filmes visualmente mais poderosos do ano, é tenso e emocionante. Sessão na quarta (às 23h30, no Estação Sesc Rio 2).

“O Porto”, de Aki Kaurismäki, fez sucesso no Festival de Cannes deste ano com uma história humanista e cheia de um humor sério sobre um boêmio (André Wilms) que ajuda um garoto recém-chegado da África a se esconder. Sessões na quarta (15h50 e 22h20 no Estação Vivo Gávea 2) e quinta (12h30 e 19h no Estação Sesc Rio 1).

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