Premiação quádrupla de ¿VIPs¿ surpreende, mas reflete falta de opções

O Grande Prêmio do Júri foi parar nas mãos de ¿Geral¿, um curta-metragem documental

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Verdade que o resultado da competição da Premiere Brasil era imprevisível, dado o equilíbrio e o nível mediano dos filmes, principalmente os longas de ficção. Mas os quatro prêmios para “VIPs”, de Toniko Melo, entre eles o de melhor filme, parecem bem exagerados. Os outros três troféus foram para as atuações de Wagner Moura – este, sim, um resultado esperado –, Gisele Fróes e Jorge D’Elia, sem dúvida um grande ator, mas com papel acanhado aqui. Por que não premiar o trabalho do sempre ótimo Irandhir Santos, que tem um personagem bastante expressivo em “O Senhor do Labirinto”?

Além de “VIPs”, apenas “Boca do Lixo”, de Flavio Frederico, levou dois troféus Redentor, nas categorias montagem e fotografia – um reconhecimento pelo capricho técnico. Os outros prêmios foram pulverizados. Karine Teles também era favorita na categoria melhor atriz por “Riscado”, ainda que o trabalho de Simone Spoladore em “Elvis e Madona” fosse muito mais arriscado. Marcelo Laffitte recebeu o prêmio de roteiro por “Elvis e Madona”, mas parecia tão surpreso quanto a maior parte do público. Muito mais redondo é o roteiro de “Malu de Bicicleta”, que foi totalmente ignorado pelo júri formado por Gustavo Dahl, Leonardo Monteiro de Barros, Bruna Lombardi e Jorge Sanchez. Igualmente estranho foi o prêmio isolado de direção para Charly Braun, por “Além da Estrada”.

Dá a impressão de que os jurados se dividiram e decidiram primeiro excluir da premiação aqueles filmes sobre os quais discordavam unanimemente, como “Malu de Bicicleta”, “Como Esquecer”, “O Senhor do Labirinto” e “Trampolim do Forte”. Depois, distribuíram de forma mais ou menos aleatória os troféus entre os outros, de que gostavam um pouco ou mais. Talvez o método reflita apenas a falta de opções.

O prêmio de documentário para “Diário de uma Busca”, de Flavia Castro, não pode ser considerado um equívoco, ainda que “Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano, merecesse ser reconhecido. Uma das maiores surpresas foi o Grande Prêmio do Júri dado para um curta de documentário, “Geral”, de Anna Azevedo. A diretora mostrou-se atônita, pois o formato normalmente é considerado menor. No fundo, o prêmio também diz muito sobre o que o júri – e a maior parte das pessoas – achou sobre a Premiere Brasil neste ano.



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