¿Porta a Porta¿ retrata campanhas políticas no interior do Nordeste

Em entrevista exclusiva, diretor comenta como os bastidores de uma eleição movimentam uma cidade inteira

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

O documentário “Porta a Porta – a política em dois tempos”, do diretor pernambucano Marcelo Brennand, mostra como a campanha eleitoral para vereador no município de Gravatá, no interior de Pernambuco, movimenta a cidade, criando empregos e oportunidades.

Durante três meses, a equipe de filmagem registrou os bastidores de uma prática política que movimenta paixões, mas, ao mesmo tempo, se tornou um meio de sobrevivência para várias comunidades.

Brennand – que é de Recife - está em seu primeiro documentário. Durante o Festival do Rio, em um bate-papo com a equipe do iG , ele contou como foi acompanhar os bastidores das campanhas eleitorais.

George Magaraia
Marcelo Brennand

iG: Como foi feito o filme?
BRENNAND: O documentário foi filmado em 2008, na campanha para vereador e prefeito, no município de Gravatás e, após um ano, eu fui refilmar na cidade para saber o que acontecia com os personagens daquela campanha. Então, ao todo, foi um ano e meio de trabalho.

iG: Qual foi a maior diferença que você percebeu entre o primeiro período de filmagem e o seu retorno a cidade?
BRENNAND: Uma campanha eleitoral movimenta a cidade na questão econômica, emprega muita gente. Em torno de 10% da população é empregada para participar da campanha porque, diferente de uma capital, onde você tem um canal de comunicação entre o político e o eleitor na mídia e na televisão, na cidade pequena, a campanha é feita de porta a porta.

iG: E o que você observou nessas pessoas: que elas estão ali por uma questão de comercial, de sobrevivência de trabalho, ou são politizadas?
BRENNAND: Na realidade existem dois estágios. Primeiramente, o engajamento na campanha, que surge por uma necessidade de emprego. Então a militância começa a trabalhar no partido sem nenhuma ideologia política. E, após um tempo, após ela ter uma renda e ser valorizada, começa a vestir a camisa do partido que trabalha e ter paixão por aquilo ali.

iG: Porque você escolheu Gravatás, no interior de Pernambuco, para fazer o filme?
BRENNAND: A cidade tem uma prática de política bastante desconhecida, ao contrário das grandes capitais. Porém é uma cidade bastante conhecida por ter uma cultura agradável. No inverno, os pernambucanos vão lá para passar férias, porque é mais frio. A escolha de Gravatás é para que o telespectador se sinta mais próximo da realidade do documentário, como se ele estivesse vendo televisão.

iG: Como você analisa essa eleição de 2010? Como ela se compara com o que você observou para o filme?
BRENNAND: Uma eleição para presidente, deputado e senador é mais pulverizada. Então o impacto econômico e social, no interior, não é tão forte quanto a do vereador e do prefeito, porque existe uma proximidade muito maior entre esses políticos com os moradores dessa cidade. Analiso, que nessa cidade pequena o impacto é menor. Mas nacionalmente houve um impacto muito grande. Quantas pessoas trabalharam nessas campanhas? Pega o orçamento dela...é bem maior.

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