Personagens de “Os Últimos Cangaceiros” encantam; leia crítica

Documentário de Wolney Oliveira resgata a história de dois sobreviventes do bando de Lampião, que viveram anos com identidades falsas

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Até os 95 anos de idade, José Antonio Souto era um pacato pai de família, casado com Jovina Maria da Conceição. Foi aí que os dois revelaram para seus filhos e para o mundo que, na verdade, eram Antonio Inácio da Silva, o Moreno, e Durvalina Gomes de Sá, a Durvinha, cangaceiros sobreviventes do grupo de Lampião.

É essa grande história que o diretor Wolney Oliveira conta em “Os Últimos Cangaceiros”, exibido na noite da sexta-feira (14), no cine Odeon, dentro da mostra competitiva de documentários da Première Brasil.

Os personagens falam sobre as razões de sua entrada no bando – Moreno tinha sido espancado pela polícia, depois de acusado injustamente de roubo, e Durvinha foi atrás de outro cangaceiro, Virgínio. Também descrevem as dificuldades da vida escondida e da perseguição, os filhos que precisaram entregar para adoção, a distância da família. Mas o documentário não tenta esconder o lado mais obscuro dos protagonistas, como a famosa violência de Moreno.

O diretor fez bem em preservar ao máximo a fala rica dos sertanejos e promoveu encontros e reencontros. É interessante como Moreno volta herói para a cidade de onde foi escorraçado como bandido.

Com dois personagens assim, seria difícil algo dar errado, mas Wolney Oliveira trata o material de forma correta e faz um bom filme.

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