Os filmes que inspiram o cineasta Karim Aïnouz

Diretor de “O Abismo Prateado” conversa com o iG sobre suas escolhas cinematográficas

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
Karim Aïnouz
Karim Aïnouz é dos cineastas brasileiros mais respeitados, tanto aqui quando fora do Brasil. O diretor de “ O Abismo Prateado ”, apresentado em competição na Première Brasil, falou ao iG sobre inspirações e preferências cinematográficas do momento. Anote no caderninho:

 Michelangelo Antonioni e Robert Bresson    “Fui criado na década de 1980, era a geração cineclube. Só então descobri o Antonioni e o Bresson. Eu estudava arquitetura e, de alguma forma, ambos lidavam com questões relacionadas à arquitetura. Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é ‘O Deserto Vermelho’, de Michelangelo Antonioni. Mas os dois consolidaram uma maneira muito cinematográfica de contar histórias.”


Rainer Werner Fassbinder
“Gosto dos personagens cheios de personalidade e também da maneira como ele olha para o real, é um real meio alterado.”

“Wanda”, de Barbara Loden, e “Mulher sem Cabeça”, de Lucrecia Martel
“‘Wanda’ é um filme que me persegue há alguns anos. Eu assisti muito na época da preparação de ‘O Céu de Suely’, porque é uma mulher errando pela vida. Revi na época em que estava pensando em como fazer ‘O Abismo Prateado’, assim como o filme da Lucrecia Martel, que mostra mais um estado mental do que um percurso narrativo cronológico.”

Veja como foi a première de "O Abismo Prateado"

Artes plásticas
“Acabei de fazer um trabalho em parceria com o Olafur Eliasson, que está numa exposição em São Paulo. Tenho procurado me relacionar mais com as artes visuais. Os artistas visuais têm uma liberdade diferente, eles podem ser abstratos. Tenho me interessado em um cinema mais abstrato do que figurativo.”

“Flashdance” e “Os Embalos de Sábado à Noite”
“Adoro! Acho o máximo. Tenho me interessado mais pela dança e pelo teatro. Sempre revejo ‘Os Embalos de Sábado à Noite’. Tenho buscado filmes com certa alegria.”

Christian Petzold e Andreas Dresen
“Tenho feito uma descoberta do cinema alemão e ficado muito encantado. Com o Petzold, que faz filmes bem simples, como ‘Jerichow’, tenho aprendido muito. Ele é muito preciso. Dresen faz filmes muito humanos, como ‘Volke 9’. Acho que a partir de ‘Cidade de Deus’, os cineastas brasileiros meio que foram colocados num lugar das coisas sensuais, sujas, borradas. E um cineasta como o Petzold é muito econômico.”

“Essential Killing”, de Jerzy Skolimowski
“Foi uma surpresa, acho que ele tem um parentesco com ‘O Abismo Prateado’, só que com mais eventos. Ele segue esse personagem de maneira visceral e há uma relação profunda com a paisagem, primeiro o deserto, depois o gelo.”

“Dentes Caninos”, de Yorgos Lanthimos
“Acho bem bacana. Há coisas derivadas de Bruno Dumont. É um segundo filme, acho que ele vai encontrar um caminho.”

“Kinatay”, de Brillante Mendoza
“Acho sublime. A maneira como ele filma a violência, fora de quadro. Também gosto do jeito como ele filma Manila, que é uma espécie de Rio de Janeiro ou São Paulo. Acho sublime.”

George Magaraia
Karim Aïnouz

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