¿O Senhor do Labirinto¿ explora mente e obra de Bispo do Rosário

Mais ambicioso que concorrentes, filme revela carinho pelo protagonista, mas contém erros primários, principalmente na maquiagem

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Alguém precisa dizer aos diretores e produtores que sobem ao palco da Première Brasil que não é necessário fazer discursos longos, agradecimentos a todos, homenagens e ainda deixar vários outros membros da equipe falar. Na noite desta sexta-feira (1º), o diretor Geraldo Motta abusou da paciência do público antes da exibição de “O Senhor do Labirinto”, que ele co-dirigiu com Gisella de Mello.

O longa-metragem, porém, tem suas qualidades, a começar pela ambição maior, principalmente visual, em relação a seus concorrentes no Festival do Rio. “O Senhor do Labirinto” tenta jogar luz sobre a misteriosa arte de Arthur Bispo do Rosário (Flávio Bauraqui, em trabalho cuidadoso), sergipano diagnosticado com esquizofrenia que viveu durante 50 anos na colônia Juliano Moreira, no Rio. Lá, ele produziu mantos, bordados e assemblages hoje reconhecidos como obras de arte – seus trabalhos chegaram a representar o Brasil em uma Bienal de Veneza. Acreditando ser Jesus Cristo, Bispo montava um castelo onde era rei e só aceitava em seu círculo quem via sua aura ou sua cor. Um deles era Wanderley (Irandhir Santos, sempre ótimo), guarda da colônia.

“O Senhor do Labirinto”, que tem bela trilha de Egberto Gismonti, revela extremo carinho pelo protagonista e mostra como, numa situação tão dramática, ter pessoas amorosas em volta é fundamental. Sem Wanderley, Rosângela (interpretada por Maria Flor) e outros, talvez a arte de Bispo do Rosário não pudesse florescer. Ao mesmo tempo, o filme tem erros primários, a começar pela narração documental no início e pelos letreiros cheios de frases feitas do final.

A edição videoclipesca para mostrar a perturbação do personagem é recurso mais que batido. Principalmente, a maquiagem de envelhecimento é totalmente inconvincente. Se não dá para fazer direito, melhor não fazer. Os atores dariam conta de mostrar a velhice dos personagens apenas com a interpretação. “O Senhor do Labirinto” está acima da média da Première Brasil, mas, como todos os outros concorrentes até agora, tem sérios problemas. 

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