O argentino Pablo Trapero arrebata com 'Carancho'

Filme, que conta história de amor entre médica e advogado envolvido em corrupção, tem olhar agudo sobre a realidade

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Pablo Trapero não tem nem 40 anos ainda e já é dono de uma obra expressiva no cinema. De novo, ele arrebata com "Carancho", que tem exibições nesta segunda-feira (04) e na quinta-feira (07), no Festival do Rio, e que se chamará "Abutres" , quando estrear em 26 de novembro no Brasil. O longa-metragem é o candidato da Argentina a uma vaga entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro.

Carancho é uma ave que se alimenta de outros animais mortos, mas que, ao contrário do abutre, é belo e algo sedutor. Assim é Sosa (Ricardo Darin), um advogado que fica “caranchando” em locais de acidentes automobilísticos, hospitais e velórios à procura de clientes. Ele faz parte de esquemas escusos para conseguir indenizações para vítimas de acidentes, envolvendo os hospitais e os prestadores de socorro, entre outros. Mas, quando ele se apaixona pela médica Luján (Martina Gusman), tenta mudar de vida.

Trapero possui olhar agudo sobre a realidade argentina, mostrando as dificuldades financeiras das pessoas, a falta de estrutura dos hospitais, a corrupção. Mas o filme não é temático e discursivo. Todos esses elementos acrescentam complexidade à produção, que na verdade é uma história de amor dos dois protagonistas, com interpretações poderosas de Ricardo Darin e Martina Gusman, mulher do cineasta. Os personagens são sólidos, e a trama é bem construída, avançando numa espiral desesperada filmada com vigor pelo diretor argentino. É um filme impactante, daqueles que deixam o espectador ligado durante a projeção e que depois não saem da cabeça

    Leia tudo sobre: festival do riopablo traperoabutrescarancho

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG