Nana Caymmi: ¿Feliz com a ótima homenagem de corpo presente¿

Cantora concede entrevista após ver pela primeira vez ¿Rio Sonata¿, documentário sobre sua vida

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Há músicas que embalam peças, novelas e até filmes. E há cantores que poderiam render boas histórias para estes mesmos filmes. Nana Caymmi é uma dessas personagens que inspiram poesia. Foi pensando assim que o cineasta suíço Georges Gachot, o mesmo que assina a direção de “Maria Bethânia - Música é Perfume”, teve a ideia de transpor para a telona a vida e a obra de Nana.

A cantora conversou com iG sobre o documentário “Rio Sonata”, em exibição no Festival do Rio.

George Maragaia
Nana Caymmi

iG: Qual é a emoção de ver o seu documentário, “Rio Sonata”, sendo exibido aqui no Festival do Rio, na sua cidade-natal?
NANA: Ah! É muito bom, principalmente vendo essas coisas feitas com a gente viva. É ótima a homenagem de corpo presente. Gostei muito, me senti honrada. É bom porque quem fez foi um estrangeiro, uma pessoa totalmente fora do meu habitat.

iG: Como surgiu o convite?
NANA: Ele me conheceu com a Maria Bethânia quando, a convite dela, fiz o disco e o show com ela. E em um desses shows, o Georges estava fazendo o documentário “Maria Bethânia, Música é Perfume”. Foi ela qum nos apresentou.

iG: Essa é a primeira vez que você assistiu ao documentário?
NANA: Foi. Eu já tinha visto uma versão, mas o Georges mudou tudo. A gente demorou muito tempo fazendo o filme.

iG: Por que esta demora?
NANA: Nesse meio tempo de produção, meus pais faleceram e ele perdeu um câmera também. O Mathias, que trabalhou conosco, veio a falecer.

iG: Teve alguma coisa que você pediu para que ficasse de fora do documentário?
NANA: Não houve nada de relevante, não. Eu fui gravando e alguma parte das coisas foi narrada por mim, vestindo um vestido azul... Fui na casa da Glória Perez, minha irmã e amiga. E outras coisas... Como no carro, quando eu estava indo para a Floresta da Tijuca. Achei ótimo ter colocado o jogo de biriba, mostrou meus amigos de jogatina, meus whisky, meus sanduíches (risos)

iG: Como é a sua relação com o cinema?
NANA: Olha, já foi muito forte, mas depois que eu fui ficando mais velha, fui ficando cansada, apesar de gostar muito de ver as coisas grandes. Com o advento da televisão e eu com o meu aparelho imenso, me sinto bem assistindo a filmes em casa.

iG: Como são estas sessões domiciliares?
NANA: Minha filha vai para lá no fim de semana e se torna um programa engraçado... Porque a gente para toda hora para fazer xixi ou comer. Eu não sou doente para saber quem ganhou o Oscar. Eu assisto ao filme porque a minha filha vem e fala que é a minha cara.

iG: Que outro cantor da MPB merece ser contado em um documentário?
NANA: Eu acho que ele (o diretor) já está fechado com o Gilberto Gil, mas todos merecem... Sei que ele tem que ter uma aprovação vindo dos editores lá da França e está só esperando isso. Para mim foi lindo, porque ele me pediu a autorização antes de pedir o financiamento (risos). Deu tudo certo.

* Com colaboração de Luisa Girão

George Maragaia
Nana é tema do documentário `Rio Sonata¿, do suíço Georges Gachot

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