¿Monstros¿ faz interessante alegoria da questão da imigração nos EUA

Com pouca ação, mas visual elaborado, filme de estreia de Gareth Edwards foi rodado com poucos recursos

Mariane Morisawa, especial para o iG |

“Monstros” faz interessante alegoria da questão da imigração nos EUA
Com pouca ação, mas visual elaborado, filme de estreia de Gareth Edwards foi rodado com poucos recursos

Mariane Morisawa, especial para o iG

Como quase todo filme de ficção científica, “Monstros” não é sobre seres alienígenas. O interessante longa-metragem de estreia do promissor Gareth Edwards, que vem fazendo barulho desde que foi apresentado no festival americano South by Southwest, em março, é uma alegoria da questão da imigração nos Estados Unidos e de propostas como a construção de um muro separando o país do México. O slogan da produção é: “Depois de seis anos, eles não são mais alienígenas, eles são residentes”, óbvia referência aos mexicanos e latinos em geral vivendo nos EUA.

Rodado com baixíssimo orçamento, em locações na América Central, contando com apenas dois atores e a participação voluntária de gente local, “Monstros” começa com o fotojornalista Andrew (Scoot McNairy), que está no México para documentar as enormes criaturas com forma de polvo que aterrorizam as pessoas, destruindo tudo pelo caminho.

Ele é destacado para levar a filha do dono da revista onde trabalha, Sam (Whitney Able), de volta aos Estados Unidos, depois que ela se fere sem gravidade. Os dois iniciam então uma jornada perigosa, que envolve passar pela zona infectada, um lugar fechado pelo governo norte-americano.

“Monstros” tem monstros, mas não é propriamente um filme de monstro ou de ficção científica. Para começo de conversa, tem muito poucas cenas de ação ¬– para falar a verdade, muito pouco acontece. Ele apóia-se no suspense e na situação dramática dos personagens, apostando mais na contemplação.

Também é um “boy meets girl”, um filme de encontro. Se por vezes é literal demais ao tentar passar seu recado, a produção cria bem a atmosfera catastrófica e conta com sequências visualmente elaboradas, mesmo com os parcos recursos, prova de que talento e boa dramaturgia não são diretamente proporcionais ao orçamento disponível. As próximas sessões acontecem na sexta (1º) e no sábado (2).

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