“Mentiras Sinceras” é cópia infiel de Eduardo Coutinho

Documentário de Pedro Asbeg sobre montagem da peça “Mente Mentira” não chega a lugar nenhum

Mariane Morisawa, especial para o iG |

A sinopse de “Mentiras Sinceras”, documentário de Pedro Asbeg exibido em competição na Première Brasil, na noite da quarta-feira (12), diz: “Ao longo de 14 meses construindo e encenando uma peça de teatro, nem tudo é o que parece”.

Seria melhor se diretor dissesse, então, o que é seu filme, que acompanha os ensaios e algumas apresentações da montagem de “Mente Mentira”, de Sam Shepard, com Malvino Salvador e Fernanda Machado, que trabalha as fronteiras da verdade e da mentira.

Em alguns momentos, parece que deseja mostrar a magia que se dá com os atores no teatro, sem sucesso – no final, um depoimento comprova a dificuldade da tarefa ao afirmar que mesmo uma câmera ligada não é capaz de captar essa transformação do ator no palco. As falas escolhidas para entrar no filme tentam suprir a falta de imagens para mostrar tal metamorfose.

Algumas vezes, parece que o documentário quer, como a peça, bagunçar realidade e ficção. Só que sua maior tentativa nesse sentido é incluir depoimentos dos atores que misturam trechos de sua biografia com os de seus personagens. Resulta num arremedo de “Moscou”, de Eduardo Coutinho, e mais uma vez prova a má influência involuntária do mestre do documentário brasileiro, que vários outros diretores tentam copiar, 99,9% das vezes sem sucesso. Melhor mesmo esperar pelo Coutinho original, “As Canções”, que será exibido nesta quinta-feira (13).

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