Matthew Chapman: “É um tempo ruim para o cinema americano”

Tataraneto de Charles Darwin, diretor de “A Tentação” defende a ciência e critica igrejas evangélicas e filmes produzidos nos EUA

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
Matthew Chapman

Marido da atriz brasileira Denise Dumont e tataraneto de Charles Darwin, o inglês Matthew Chapman está no Rio para exibir “A Tentação”, seu mais novo longa-metragem como diretor. Chapman falou ao iG sobre a produção, ciência, religião e os roteiros que escreve para Bruno Barreto e Daniel Filho:

iG: Como surgiu o projeto de “A Tentação”? MATTHEW CHAPMAN : Estava vivendo em Los Angeles e aquele imbecil do George W. Bush estava baseando suas decisões em conversas com Deus, fazendo coisas que se provaram erradas. A direita religiosa ganhou muita força nos Estados Unidos. Aí pensei nesse misto de drama e thriller que também lidava com a religião e o ateísmo e em quão opressiva está a situação nos Estados Unidos.

iG: Acredita que o cinema deu conta de criticar a era Bush?
MATTHEW CHAPMAN:
Acho que não. O cinema americano é complacente com os destinos econômicos do país. E o cinema independente é completamente previsível, não se arrisca. É um tempo ruim para o cinema americano. Em compensação, é uma ótima época para a televisão americana. É lá que estão os melhores roteiros e melhores atores. É impressionante.

iG: Você escreveu livros também relacionados com religião e ciência, não?
MATTHEW CHAPMAN:
Sim. Fiquei motivado a falar sobre isso quando os cristãos fundamentalistas nos Estados Unidos tentaram fazer com que o criacionismo fosse ensinado nas escolas lado a lado com a teoria da evolução. É muito importante que o Brasil não deixe as igrejas evangélicas dominarem o sistema, porque elas são como um câncer.

iG: Você se interessa por esse assunto por ter parentesco com Charles Darwin?
MATTHEW CHAPMAN:
Ele era meu tataravô e elaborou uma teoria muito simples: os mais fracos desaparecem, os mais fortes ficam. Essa teoria foi provada várias vezes e é empregada inclusive na maneira como as drogas modernas são criadas, porque elas são desenvolvidas de acordo com a evolução do corpo. Denegrir a teoria da evolução é diminuir benefícios. Abri uma fundação com o objetivo de fazer com que os candidatos a cargos públicos discutam assuntos como células-tronco, mudança climática, saúde dos oceanos. Todos são temas científicos e fundamentais para o futuro dos meus e dos seus filhos. Só que eles preferem discutir fé e valores.

iG: Você está trabalhando com dois diretores brasileiros, Bruno Barreto e Daniel Filho. Como está sendo?
MATTHEW CHAPMAN:
Sim, estou escrevendo a história de amor entre Elizabeth Bishop e Lota de Macedo Soares para o Bruno Barreto e a adaptação do livro “O Silêncio da Chuva”, de Luis Alfredo Garcia-Roza, para Daniel Filho, um thriller bem ousado. Normalmente, em Hollywood, eu escrevo não para o criador, mas para executivos com diplomas em direito. Então trabalhar com os diretores é uma delícia. 

George Magaraia
Matthew Chapman

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