Magia original salva “Capitães de Areia”

História e personagens ainda conquistam, apesar da falta de força dramática e desenvoltura do filme dirigido pela neta de Jorge Amado

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Divulgação
O filme "Capitães de Areia" é baseado no livro homônimo de Jorge Amado

De todos os romances de Jorge Amado, “Capitães de Areia” é certamente um dos mais queridos. Ao assistir à versão para o cinema feita pela neta do autor, Camila Amado, exibida em pré-estreia , fora de competição, na noite da sexta-feira (7) no Festival do Rio, é inevitável sentir uma certa nostalgia no reencontro com Pedro Bala (Jean Luis Amorim), Dora (Ana Graciela) e Professor (Robério Lima) em suas aventuras numa Bahia colorida e de certa forma folclórica.

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A verdade, porém, é que ela vem mais da história do que do filme. Tanto que, quando ele narra apenas as peripécias de Bala e sua turma de capitães da areia, o longa parece uma junção de episódios sem unidade ou emoção e cheios de artificialidade.

É inevitável comparar a produção com “Cidade de Deus”, que se tornou paradigma no trabalho com jovens atores não-profissionais, mas faltam a “Capitães de Areia” tanto carga dramática quanto desenvoltura nas cenas de ação, que os truquinhos de edição só pioram.

Mas algo muda quando entra em cena Dora, a menina que transforma a vida dos garotos. Ali, o filme ganha uma narrativa, até empolga, e seus problemas parecem tornar-se menos evidentes. De novo, o verdadeiro responsável pela magia é o Amado original, mas, a essa altura, Pedro Bala, Dora e Professor já nos (re)conquistaram, para sorte do filme.

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