'Laiá, Laiá' não passa de colagem de depoimentos sobre samba

Sem foco e repleto de redundâncias, primeiro concorrente na categoria documentário não merecia estar em competição

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Antes do início da sessão de “Laiá, Laiá”, primeiro concorrente da competição de documentários da Première Brasil, o diretor Alexandre Iglesias explicou que tinha pensado num longa por ter em mãos material de arquivo e entrevistas com sambistas cariocas de várias gerações, feitas para diversos curtas. Pois o filme não consegue mesmo ser mais do que uma colagem.

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Cena do documentário "Laiá, Laiá", do diretor Alexandre Iglesias
E dá-lhe cabeças falantes. Mesmo que elas pertençam a gente como Monarco, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, é muito pouco para compor um documentário que mereça estar numa competição de festival.

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O diretor não consegue dar conta de estabelecer uma narrativa nem propor um ponto de vista. Dividido em capítulos, o documentário repete-se. Há um bloco inteiro dedicado ao Bafo da Onça e ao Cacique de Ramos e, lá na frente, os entrevistados voltam a se referir ao Cacique de Ramos.

Vários personagens comentam o mesmo assunto, tornando as histórias redundantes. Para piorar, qualquer pretensão de registro histórico fica comprometida porque faltam mais imagens de arquivo.

“Laiá, Laiá” abre muito o leque – fala desde as origens das escolas de samba até as transformações dos desfiles, passando pelo partido alto e pelas misturas do gênero com rock e rap – e, por isso, não escapa da superficialidade. Melhor seria focar do que tentar abarcar todo o universo que é o samba.

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