“Há uma energia renovada na América do Sul”, diz Dafoe

Ator está no Rio para apresentar três filmes: “Uma Mulher”, “O Caçador” e “4:44 – Last Day on Earth”

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
Willem Dafoe

O ator Willem Dafoe está no Rio de Janeiro pela primeira vez, em companhia da mulher, a cineasta Giada Colagrande, para apresentar três filmes: “Uma Mulher”, dirigido por Giada, “O Caçador”, de Daniel Nettheim, e “4:44 – Last Day on Earth”, de Abel Ferrara. Ele falou ao iG :

iG: Você trabalhou com diretores consi derados difíceis, como Lars Von Trier e Werner Herzog. Giada é mais fácil de lidar?
WILLEM DAFOE:
É fácil porque ela é muito clara. E difícil porque ela é muito exigente. Ela tem ideias muito fortes sobre o que quer e tenho consciência de que é muito importante para ela ser a líder. Se discordo de algo, não o faço publicamente, até porque acho muito difícil ser uma mulher jovem e exigente no set.

iG: Você tem três filmes no Festival do Rio. Trabalha muito ou foi coincidência?
WILLEM DAFOE:
As coisas são cíclicas. Realmente gosto de trabalhar, mas às vezes acontece de ter três num ano, às vezes acontece de não ter nenhum. É uma coincidência. Se eu pensasse em carreira, nem seria muito esperto ter três filmes saindo ao mesmo tempo, ainda que sejam muito diferentes entre si.

iG: Como foi trabalhar novamente com Abel Ferrara num filme sobre o fim do mundo?
WILLEM DAFOE
: Cada vez que trabalho com ele me sinto mais relaxado e com uma cumplicidade maior. Mas aqui o fim do mundo é uma convenção, porque extermina o futuro e você precisa viver o presente. No fim, discute como vivemos nossa vida. Acho que para o Abel a questão é: você prefere enfrentar o mundo acordado ou adormecido pelo uso de substâncias químicas?

iG: Você trabalhou com alguns dos maiores cineastas do mundo e também em blockbusters. Faz um para você e um para “eles”?
WILLEM DAFOE:
Gosto de atuar, por exemplo, em outras culturas. Fiz vários filmes em outros países, porque há muitas diferenças. E gosto de não entrar na obsessão com a carreira, com coisas desimportantes, algo inevitável quando você passa tempo em Hollywood. Projetos pequenos são libertadores, você não precisa se preocupar com o mundo. Em Hollywood, o mundo entra, não há como.

iG: Trabalharia no Brasil?
WILLEM DAFOE:
Não conheço muito sobre o cinema, mas minha mulher ama música brasileira. Acho que há uma energia renovada na América do Sul, porque há um ganho de poder nessa região, enquanto a Europa e os Estados Unidos perdem poder.

George Magaraia
Willem Dafoe e a mulher, a cineasta Giada Colagrande

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