¿Gosto muito do que desconheço¿, diz Graciela Borges

A atriz argentina apresenta ¿Dois Irmãos¿ ao lado de Daniel Burman em sessão de gala na noite dessa quinta, no Odeon

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Com mais de 40 longas-metragens no currículo, a atriz argentina Graciela Borges veio ao Brasil para apresentar o filme “Dois Irmãos”, de Daniel Burman, cuja sessão de gala acontece na noite de hoje no Odeon – as outras exibições são no domingo (3) e na quarta (6).

Ela interpreta Susana, que tem uma relação meio maluca com o irmão, a quem atormenta. Conhecida no país por seu papel em “O Pântano”, de outra jovem cineasta argentina, Lucrecia Martel, ela estava feliz por voltar ao país, onde esteve diversas vezes, inclusive no aniversário de 70 anos de Dorival Caymmi, e onde se prepara para rodar, no início de 2011, “Viudas”, com Mario José Paz, dirigido por Marcos Carnevale (de “Elsa e Fred”). Ela falou com exclusividade ao iG .

George Magaraia
Graciela Borges

iG: Por que essa personagem a interessou?
GRACIELA: Na verdade, aceitei fazer “Dois Irmãos” porque gosto muito do que desconheço. Não tenho muita ideia de quem essa personagem é. Um dia, Burman me ligou e me disse: O que vai fazer em tal época? Eu disse: Nada, e você? Ele respondeu: Filmar com você. Normalmente, eu fiz dramas, mas essa perturbadora personagem Susana tem uma rara comicidade, um toque de humor negro. Aceitei sobretudo porque não a conhecia. Quando você é jovem, prefere fazer o que conhece, parece mais sensato. Mas, conforme os anos passam, é melhor fazer o que é desconhecido. Estou muito feliz de ter feito “Dois Irmãos”, que é a história de duas pessoas totalmente dependentes um do outro. Minha personagem é uma pessoa muito perturbada, mitômana e vai envolvendo seu irmão. É um filme que por razões distintas toca as pessoas.

iG: Como foi o trabalho com Daniel Burman?
GRACIELA: Às vezes me pegava com ele... Porque agora trabalhamos com digital, então ele fazia 114 mil tomadas. E isso é muito dramático para o ator. Mas é um artista enorme e um jovem com muito talento, já tem uma marca em sua filmografia.

iG: Você também trabalhou com Lucrecia Martel.

GRACIELA: Maravilhosa... O New York Times disse que “O Pântano” era o melhor filme da década. Lucrecia cria climas extraordinários, turvos basicamente, dessa família. Mas a figura dela eu vejo como uma versão de Woody Allen, com seus óculos, pequenina, feminina. E penso: que incrível que esta mulher tenha tanta força para filmar isso. Ela é genial. E também há outro diretor jovem com quem trabalhei em “Monobloc”, que é Luis Ortega, que é um cineasta brilhante. E agora vou fazer uma co-produção com o Brasil, “Viudas”, do Marco Carnevale, vamos filmar aqui. Teremos Mario José Paz como ator, como marido. Ele morre no início da história, mas aparece em muitos flashbacks.

George Magaraia
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