Gilberto Gil: ¿Tenho medo de filme de vampiro¿

Cantor baiano conversou com iG sobre suas preferências cinematográficas

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Gilberto Gil esteve presente à sessão de gala de “Rio Sonata”, documentário sobre Nana Caymmi, exibido na segunda-feira (27), no cine Odeon, no Festival do Rio. Minutos antes do bate-papo, o diretor suíço Georges Gachot, responsável pelo filme, confirmou à reportagem do iG que Gil seria seu próximo personagem. Gachot, inclusive, já fez um filme sobre Maria Bethânia. Gil, entretanto, nega que o projeto esteja acertado. “Não, não. Eu já sou tão documentado em versões variadas”, se esquivou.

Durante o bate-papo, bem humorado, Gil falou de cinema. Diz que gosta de todos os gêneros. Com exceção de um: os que têm vampiros. “Eu só não gosto de filme de vampiro, porque eu tenho medo”, disse, entre risos.

George Magaraia
Gilberto Gil

iG: Qual é a emoção de ver e ouvir um pouco da história da Nana?
GIL: O filme é fiel à exuberância da personalidade dela, da interpretação dela, que é muito original e especial, do modo que ela lê a música. Além disso, o Rio está muito bonito no documentário: úmido, cinzento em algum momento, as florestas e montanhas. É uma captação feita por um suíço, apaixonado pelo Brasil e pela Nana, que é a segunda paixão dele, já que a primeira foi a Maria Bethânia. Tem imagens de Caymmi, dela cantando, aos 16 anos, “Acalanto”... Poder ouvir essa canção no cinema, com as imagens, é maravilhoso. É tudo tocante, comovente e bonito.

iG: Como descrever Nana em poucas palavras?
GIL: Nana não tem resumo, ela transborda por todos os lados. Ela muito grande e muito contida, ao mesmo tempo. Não dá para resumir não... Ela é como uma onda no mar, que ao mesmo tempo é aquele mar todo.

iG: Já tem um projeto para que você seja o próximo artista a ser documentado?
GIL: Não, não. Eu já sou tão documentado em versões variadas. Agora mesmo tem um suíço, amigo do Georges, que está fazendo um filme comigo. Mas está na época também: na velhice. Nessa fase os artistas acabam sendo solicitados a exporem mais largamente aspectos amplos da sua vida.

iG: É importante esse resgate também, não?
GIL: É, eu acho que é. Acho que é uma coisa demandada naturalmente pela vida e sociedade, pelos que estão chegando e para a nova geração. É importante o documento, os registros, as memórias... Isso sempre foi importante, mas agora é mais porque o mundo é muito complexo e variado. É preciso guardar com mais cuidado as coisas específicas de uma cultura, de cada povo, de cada nação e tal. E o documentário tem esse papel.

iG: Como é a sua relação com cinema?
GIL: Vejo muito filme em casa porque a televisão tem canais múltiplos, com programação só de filmes, só com longas brasileiros... Mas de vez em quando eu vou ao cinema também.

iG: Tem algum gênero que você goste mais?
GIL: Não, não...Eu só não gosto de filme de vampiro, porque eu tenho medo (risos). O resto todo eu gosto: de comédias, policiais, aventuras, musicais.

* Com colaboração de Luisa Girão

George Maragaia
Gilberto Gil

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