Fisher Stevens compara a favela da Rocinha, no Rio, a Jerusalém

Ator de "Rio Sex Comedy" aproveita vinda para o Brasil para filmar a grafiteira Pamela Castro, personagem de seu documentário "My Decision"

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Super bem-humorado, o ator e produtor Fisher Stevens não parecia muito preocupado em dar algumas entrevistas na sua última tarde no Rio, depois de nove dias. Em português, reclamou do tempo e brincou com o diretor de “Rio Sex Comedy”, Jonathan Nossiter, pedindo silêncio. Ele falou sobre a cidade e sobre seu novo projeto.

George Magaraia
Fisher Stevens
iG: Por que quis fazer o filme?
STEVENS: Por duas razões principais. A primeira, porque queria trabalhar no Rio de Janeiro; e a segunda, porque queria trabalhar com Jonathan Nossiter, tinha visto seus outros filmes e achei que é muito bom cineasta. Eu tinha vindo ao Rio antes, fiz uma pequena participação num filme do Bruno Barreto chamado “O Que É Isso, Companheiro?” e me diverti demais nesse país. Fiquei impressionado pelo visual do Rio e a vida aqui, achei único, não há lugar como o Rio. E eu gostei da ideia de interpretar um operador de passeios na favela.

iG: Você se surpreendeu com alguma coisa nas favelas?
STEVENS: Nada me surpreendeu em trabalhar dentro da favela. É bonito, é um lugar bonito. São pessoas pobres, mas na Rocinha há pessoas que não são tão pobres. Passamos muito tempo lá. Acho que existem muitas pessoas lá que têm mais dinheiro que eu, que moram em casas muito, muito grandes. Mas também há gente muito pobre. Eu vivo em Nova York e lá há muitos ricos e pobres, a mesma coisa. A paisagem é o que é bonito. E dentro da favela é muito interessante. Se você já foi para Jerusalém ou Fez, essas cidades muradas, com pequenos becos, há algo similar. As pessoas são incríveis, pude ir a um baile funk, gosto da música, de como as pessoas dançam.

iG: Nesta viagem, você conseguiu aproveitar a cidade?
STEVENS: Tive dois filmes no Festival do Rio. Produzi um filme chamado “The Cove”, que ganhou o Oscar de documentário neste ano. Tive de ir à exibição também. E estou fazendo um novo documentário chamado “My Decision” (Minha Decisão), em que viajo o mundo filmando pessoas tomando decisões em suas vidas.

iG: Como é isso?
STEVENS: Desci do avião na manhã do sábado e imediatamente comecei a filmar. Uma nova personagem para esse filme é uma mulher chamada Pamela Castro, uma grafiteira do Rio incrível. Comecei a segui-la, ela mora na Penha. Consegui ver partes diferentes do Rio, mas não tive tempo de relaxar porque estava trabalhando. E também foram nove dias de tempo nublado, o que é uma droga aqui no Rio. Talvez tenha sido melhor porque assim não tive tempo de ir à praia.

iG: Como descobriu a Pamela Castro?
STEVENS: Meus produtores leram um artigo de jornal sobre ela nos Estados Unidos. Ela parecia uma ótima personagem, diferente do que eu tinha no documentário. Nós a contactamos, e ela permitiu que filmássemos suas saídas para pintar à noite. Ela é feminista, pró direitos das mulheres e tem muito a dizer. E nós também filmamos dentro da Rocinha. Meu amigo Soca, que vive na Rocinha, achou algumas pessoas lá.

iG: O que é o melhor e o pior do Rio?
STEVENS: O melhor são muitas coisas: a música, a energia, a vida, a praia. O pior é quando as pessoas combinam algo às 19h e aparecem às 21h. Todos se atrasam, há um tempo do Rio, muito relaxado. Seria a única coisa que mudaria. E o Rio está ficando muito caro. Talvez possamos fazer algo sobre isso.

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