Filha de Guimarães Rosa assiste à première de ‘Matraga’

Conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga” ganha as telas com assinatura do diretor Vinícius Coimbra

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro |

Depois de Jorge Amado ganhar as telas do Festival do Rio , com “Capitães da Areia”, é a vez de outro notório escritor inspirar um filme. Agora, Guimarães Rosa. Há de se convir. Adaptar para o cinema a obra literária de João Guimarães Rosa é um desafio. Não só pela inventividade linguística do escritor mineiro, mas também pela temática mítica do autor.

No entanto o diretor Vinícius Coimbra topou o desafio. Nessa sexta-feira (15), ele exibiu o seu longa-metragem “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, no Cine Odeon, no Festival do Rio. “Sou fã da literatura de Guimarães Rosa. Antes, estava trabalhando no roteiro sobre o conto ‘Campo Geral’, mas outra pessoa fez mais rápido do que eu. Fiquei desconsolado, resolvi fazer o filme sobre outra história que amava: o Matraga”, explicou o diretor.

O filme conta a história de Augusto Matraga, fazendeiro falido e violento que vive acima da lei no sertão de Minas Gerais. Em dificuldades, ele cai numa emboscada que quase o leva à morte. Renascido, Matraga volta-se para a fé e o trabalho árduo em busca de redenção. Anos depois, chega na vila o rei do sertão, Joãozinho Bem-Bem, e seu bando de jagunços. Esta nova amizade atravessará seu destino. E ele ficará divido entre o santo e o guerreiro. José Wilker definiu o filme em duas palavras: “Desafiador e divertido”, disse.

Quem vive o lendário Augusto Matraga nas telonas é o ator João Miguel, que confessou ser fã da história. “Eu já era apaixonado por esse personagem e fiquei muito feliz ao ser chamado por Vinícius para interpretá-lo. Esse é um dos personagens mais difíceis que já fiz. Ele é mítico, riquíssimo de características”, contou.

Vanessa Gerbelli também está no elenco e falou, no tapete vermelho do cinema, antes da sessão começar, que o projeto é uma realização pessoal, já que era casada com o diretor durante as filmagens. “O filme fez parte do nosso casamento. Começamos a produzi-lo quando estávamos juntos. Foi tranquilo. Com respeito, amizade e amor, foi só seguir em frente”, disse ela, acrescentando: “O Tito (filho do casal, de quatro anos) faz uma participação, também. Foi emocionante contracenar com ele”.

A filha do escritor, Vilma Guimarães Rosa, de 80 anos, esteve presente. “aspas”, disse ela. “Estou emocionada de estar aqui. Não só porque o meu pai foi o autor da obra que inspirou este filme, mas este é um dos meus contos prediletos”. Ela ainda disse não tinha medo de se decepcionar com a adaptação. “É difícil transformar a história em filme, mas com habilidade pode também virar uma trama maravilhosa”.

Além do elenco, muitos atores prestigiaram a sessão. Alessandra Negrini, Dira Paes, Maria Padilha, Ângelo Antônio, Thiago Lacerda e Nathalia Dill estavam curiosos para conferir o longa. “Acho importante que livros históricos sejam adaptados para telona e vice-versa. Quanto mais pessoas entrarem em contato com a nossa literatura e características, melhor”, disse Nathalia.

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