'Ficaria contente se ganhasse', diz Pablo Trapero sobre Oscar

Diretor participa do Festival do Rio com 'Carancho', candidato da Argentina a uma vaga na categoria filme estrangeiro

Mariane Morisawa, especial para o iG |

As entrevistas de Pablo Trapero na tarde do sábado (02) tiveram de ser um pouco atrasadas porque o cineasta argentino precisava atender a jornalistas de seu país, por telefone. Afinal, no dia anterior seu "Carancho", que tem exibições nesta segunda-feira (04) e na quinta-feira (07) no Festival do Rio, havia sido anunciado como candidato da Argentina a uma vaga entre os concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro de 2011 – o Brasil tenta ser indicado com "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto. “Ganhar a estatueta não é algo que busco, mas claro que é importante e ficaria contente se fosse indicado e ganhasse”, disse o diretor ao iG . Em 2010, o vencedor na categoria foi o conterrâneo "O Segredo dos Seus Olhos", de Juan José Campanella.

Divulgação
Pablo Trapero é o diretor de "Carancho"

 "Carancho", aliás, é protagonizado pelo mesmo ator, Ricardo Darín, que interpreta um advogado especializado em acidentes rodoviários. Ele ronda os locais das tragédias, as delegacias e os setores de emergência dos hospitais à cata de clientes. Quando conhece a médica Luján (Martina Gusman), apaixona-se e tenta mudar de vida. “Depois de Leonera, queria fazer um filme de amor urgente”, contou Trapero. Apesar de os acidentes de carro serem a maior causa de morte de jovens na Argentina, ele diz que não se trata de um retrato do país. “É uma ficção que se passa na Argentina, não um tratado sociológico. As questões são das pessoas e de suas morais e éticas individuais”, disse. 

O cineasta contou que sempre quis trabalhar com Darín. “Mas em meus filmes anteriores não havia personagem para ele”, disse. Desta vez, assim que pensou no protagonista Sosa, ligou para o ator. No papel feminino, Trapero trabalha pela terceira vez com a própria mulher, Martina Gusman. A atriz passou seis meses fazendo um plantão semanal no setor de emergências de um hospital para se preparar para a personagem. “Comecei ficando a dez metros de distância, mas depois fui me aproximando. Queria chegar para Pablo com a médica incorporada”, disse. 

A experiência, claro, não foi nada fácil. “Sou muito impressionável. Mas depois há uma coisa de trabalhar sob pressão, em ritmo intenso, num grupo e ter de resolver. Você se acostuma”, afirmou. 

Martina faz teatro desde os sete anos de idade e estudou atuação, mas trabalhava como produtora quando conheceu Trapero. Durante anos, foi ela quem ajudou a colocar em pé os projetos do marido, enquanto ele insistia para Martina voltar a atuar. Fizeram uma experiência em "Nascido e Criado". “Tivemos uma química linda”, disse a atriz. Depois ela tornou-se protagonista em 'Leonera', recebendo muitas críticas positivas". 

Agora, Martina pretende dedicar-se mais à carreira de atriz e deixar a produção de lado. Trapero riu quando indagado se não se ressentia de ter insistido tanto para Martina retomar a carreira de atriz e agora estar perdendo a produtora. “Já perdi!”, disse. “Mas ganhamos uma atriz.”

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