Festival do Rio leva filmes ao Complexo do Alemão e mais dez comunidades

Presidente da RioFilme, Sergio Sá Leitão fala ao iG sobre investimentos no setor

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Não será só o Cine Odeon que vai ficar repleto de artistas e diretores para a exibição de aguardados longas. O Festival do Rio também está com uma programação em comunidades carentes da cidade, incluindo a favela da Maré e morros pacificados, como o do Salgueiro, na zona norte e o Complexo do Alemão. Neste último, haverá uma mostra específica, com filmes internacionais, enquanto que nos demais será exibido o filme “Rio” (veja programação no final da matéria).

Em entrevista ao iG , Sergio Sá Leitão, presidente da RioFilme, órgão audiovisual da prefeitura, fala sobre as iniciativas programadas para o evento, que começa oficialmente nesta quinta-feira (6).

Quatro filmes nacionais apoiados pela RioFilme estarão na mostra oficial. “Espiral”, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, “Capitães da Areia” e “Corações Sujos”. Fora do festival, Sá Leitão adianta quais são as próximas estreias nacionais aguardadas. “Estreia na sexta ‘Uma Professorinha Muito Maluquinha’. Temos o ‘Corações Sujos’, que entra em cartaz ainda neste ano. ‘As aventuras de Agamenon – O Repórter’, que deve ser a grande comédia do verão, agendado para estrar no dia 30 de dezembro. Além disso, ‘Paraísos Artificiais’, novo filme do Marcos Prado e produzido por José Padilha”, lista ele.

Murillo Tinoco/ Divulgação
Sergio Sá Leitão
iG: Quanto será o investimento da RioFilme no Festival do Rio?
SERGIO SÁ LEITÃO
: Serão R$ 2 milhões. Fechamos com a organização do festival algumas ações específicas. Destaco como uma das mais relevantes a realização do projeto “CineCarioca” nas praças, que se trata da exibição gratuita do filme “Rio”, ao ar livre, em dez comunidades, como Salgueiro, Maré, Cidade de Deus... É para levarmos o Festival a uma área da cidade que não era alcançada.

iG: Qual será o destaque dessa iniciativa?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Incluímos aí o Cine Carioca Nova Brasília, em um panorama de dez filmes, como filmes da França, Noruega, Argentina... É uma degustação do festival preparada para a comunidade do Complexo. Pela primeira vez o festival chega ao Alemão. Está para ser confirmado um filme nacional, com a presença do elenco.

iG: Diretores que vêm ao festival também estarão no Complexo do Alemão?
SERGIO SÁ LEITÃO:
É nossa ideia. Na abertura da mostra no Complexo teremos todos os convidados internacionais presentes, com a exibição do francês “L´Apollonide, Os Amores da Casa de Tolerância”. Será no sábado, dia 8, às 19h30. “O Levante”, do argentino Raphael Aguinaga, na segunda, dia 10, também no mesmo horário, terá a presença do diretor e de quatro atores do elenco.

iG: A resposta de público nestas ações é significativa?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Tivemos uma média de 800 a mil pessoas em cada sessão de praça. A ideia era incorporar uma parte da cidade que, por diversas razões, não tinha acesso ao festival. De todas as ações conjuntas que estamos programando, esta é a principal. Eram oito praças em 2010. É uma forma de multiplicar as ações bem sucedidas.

iG: Por que optou-se pelo filme “Rio”?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Escolhemos o filme “Rio” porque é uma grande homenagem à cidade. Além disso, como não temos como controlar a frequência de pessoas nas praças públicas, é preciso que seja filme infantil ou familiar, de censura livre, por causa da questão da classificação etária.

Divulgação
O Filme "Rio" será exibido em dez comunidades (veja programação abaixo)

iG: Que outras campanhas serão realçadas durante o Festival do Rio?
SERGIO SÁ LEITÃO:
O vocalista do ColdPlay vestiu a camisa “Rio - eu amo, eu cuido” durante o Rock in Rio. E isso deu uma ótima visibilidade. Vamos colocar o spot da mesma campanha em cem sessões. Aproveitando o festival, vamos dar sequência à campanha que lançamos em fevereiro, a do “Rio - uma cidade de cinema”, para valorizar a cidade como destino de campanhas nacionais e, claro, internacionais.

iG: Quantos filmes estão agendados para serem rodados na cidade nos próximos meses?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Para o ano que vem, temos agendadas cem produções estrangeiras, incluindo longas, campanhas publicitárias, conteúdo para TV e novas mídias. Não posso adiantar os confirmados, mas é uma previsão em torno desse número. No ano passado, o número ficou em 92. Cerca de 51% das produções de todo o País foram feitas no Rio em 2010. Este número deve crescer, até pela visibilidade que a cidade vem tendo de forma bastante positiva.

Leia também: Programação completa do Festival do Rio 2011

iG: O Rio deve se sentir ameaçado com o polo audiovisual de Paulínia (SP)?
SERGIO SÁ LEITÃO:
São cidades complementares. O Rio é o principal centro, as produções e fornecedores de equipamentos estão aqui. Paulínia continua crescendo. Mas vejo muitos filmes sendo feitos aqui e lá. São complementares neste sentido, não vejo como competidoras.

iG: A respeito dos quatro filmes que a RioFilme apoiou e estarão no Festival, qual é o denominador comum entre eles?
SERGIO SÁ LEITÃO:
São filmes de qualidade muito forte. Não são filmes comerciais, de grande apelo. São autorais, de arte. Mas assim caracterizados por terem identidade muito forte.

iG: É a linha que a RioFilme quer adotar?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Na verdade não. É justamente o oposto do que temos adotado. Tentamos ter uma cartilha diversificada. Investimos dois terços dos nossos recursos em produções de grande apelo comercial. Mas queremos também filme autoral de qualidade que seja competitivo no seu nicho.

iG: E qual é o filme imperdível da programação oficial?
SERGIO SÁ LEITÃO:
Eu diria dois. O de ficção é “A pele que habito”, do Almodóvar, um dos maiores cineastas do mundo. É sempre um acontecimento. Além desse, tem o documentário de Martin Scorcese, sobre o George Harinson. Um grande cineasta fazendo um filme sobre um “beatle”. Estou louco para ver.


Programação do Panorama do Cinema Mundial - CineCarioca Nova Brasilia
Serviço:
Ingresso: R$8 (inteira) / R$4 (meia)
Capacidade de público: 89 lugares


"L´Apollonide, Os Amores da Casa de Tolerância", França, sábado, dia 8/10, às 19h30min.

"A Árvore do Amor", de Zhang Yimou, China, domingo, dia 9/10, às 19h30min.

"O Levante", de Raphael Aguinaga, Argentina, segunda, dia 10/10, às 19h30min.

"Triângulo Amoroso", de Tom Tykwer, Alemanha, terça, dia 11/10, às 19h30min.

"Pearl Jam Twenty", de Cameron Crowe, Estados Unidos, quarta, dia 12/10, às 19h30min.

"Paul - Contatos Imediatos com essa Figura", de Greg Mottola, Estados Unidos, quinta, dia 13/10, às 19h30min.

"Shark Night 3D", de David R. Ellis, Estados Unidos, sábado, dia 15/10, às 19h30min.

"A Coisa", de Matthijs van Heijningen, Estados Unidos, domingo, dia 16/10, às 19h30min.

"Torrente 4 3D", de Santiago Segura, Espanha, segunda, dia 17/10, às 19h30min.

"O Caçador de Troll", de André Øvredal, Noruega, terça, dia 18/10, às 19h30min.


Programação do CineCarioca na Praça - filme "Rio"
Serviço:
Entrada gratuita
Classificação etária: Livre


Data: 07 de outubro (sexta-feira)
Horário: 20h
Locais: Morro do Salgueiro - Raízes da Tijuca

Data: 08 de outubro (sábado)
Horário: 20h
Locais: Ilha do Governador e São João

Data: 09 de outubro (domingo)
Horário: 20h
Locais: Santa Cruz e Batan

Data: 12 de outubro (quarta-feira)
Horário: 20h
Locais: Vila Cruzeiro e Barreira do Vasco

Data: 14 de outubro (sexta-feira)
Horário: 20h
Locais: Maré e Cidade de Deus

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