Fernando Meirelles fala sobre próximo projeto para o cinema

A partir de janeiro, o diretor brasileiro roda o filme europeu 360, com dois atores brasileiros

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro |

Depois do sucesso “Ensaio sobre a Cegueira”, baseado na obra de José Saramago, o cineasta Fernando Meirelles volta a ter contato com o mundo do autor português. Meirelles entrou por acaso na produção do documentário “José e Pilar”, que teve sua sessão especial, nesse sábado (24), no Espaço de Cinema, no Festival do Rio. O diretor brasileiro conversou com o iG e falou sobre o documentário e seu próximo projeto: o filme 360. “É um filme europeu, inspirado em uma peça chamada 'Reigen' e no filme de Stanley Kubrick 'De Olhos Bem Fechados', e terá dois atores brasileiros, mas ainda não posso contar quem são”, desconversou.

Confira abaixo a entrevista com Fernando Meirelles:

George Magaraia
Miguel Mendes, diretor de "José e Pilar" e o cineasta Fernando Meirelles


iG: O que te levou a participar desse projeto?

Meirelles: Eu entrei no projeto meio por acaso. Eu conheci o Miguel quando fui levar filme que tinha feito – “Ensaio sobre a cegueira” – para o Saramago assistir. Nesse dia saímos para jantar e nos tornamos amigos. Depois que ele começou a montar o filme, chegou uma hora que acabou o dinheiro dele e ele me ligou perguntando se eu tinha algum jeito para ajudá-lo a finalizar o documentário. A gente acabou fazendo uma co-produção, o Brasil entrou com parte do capital. O Miguel passou os últimos quatro meses no Brasil porque arrumamos o dinheiro e ele tinha que ser gasto aqui.

iG: Você teve a oportunidade de conhecer o José Saramago pessoalmente. Qual é a sua maior lembrança dele?

Meirelles: O contato pessoal foi uma coisa reveladora para mim porque tinha a imagem daquele homem duro, sério... Mas quando o vi, percebi que ele é extremamente caloroso e bem humorado. Eu dava risada o tempo inteiro. Assistindo esse filme, ai sim que todos podem notar a figura humana dele. O filme não é sobre literatura, é uma história de amor.

iG: O que você pode perceber da relação do José Saramago e da Pilar Del Rio, tema que o documentário aborda?

Meirelles: A relação deles é fundamental. É goiabada com queijo. Um lava e o outro enxuga. No filme ele fala isso, se ele não tivesse a conhecido, talvez ele não teria vivido tanto ou escrito tanto quanto ele escreveu. Vendo o filme você vê a importância dela na vida dele. Muitos diziam que ela era a secretária dele, não era nada. Ela era a musa dele.

iG: Qual é a cena mais marcante, na sua opinião, do documentário?

Meirelles: Não tem uma cena especifica. Eu gosto do humor dele, que é pipocado durante o filme. Quando ele fala sobre vida e morte também é muito interessante e profundo. Ele é muito direto. E adoro as partes que mostram a história de amor entre Saramago e Pilar. É emocionante. Ah! E claro, tem a cena que ele viu o filme (Ensaio sobre a Cegueira) pela primeira vez. Eu estava totalmente nervoso e ansioso. Foi um momento muito especial...

iG: E quais são seus próximos projetos?

Meirelles: Eu vou rodar um filme na Europa a partir de janeiro que se chama 360, mas ainda não foi anunciado. Vai ser um filme europeu, inspirado em uma peça chamada Reigen e no filme de Stanley Kubrick, "De Olhos Bem Fechados", e terá dois atores brasileiros, mas ainda não posso contar quem são. Vocês vão ver...

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