Eduardo Coutinho é favorito entre documentários

Vai ser difícil bater “As Canções”, apesar da qualidade de alguns concorrentes, como “Marcelo Yuka” e “Marighella”

Mariane Morisawa, especial para o iG |

A produção nacional de documentários é grande e variada. A Première Brasil foi um reflexo disso. Houve o tradicional filme sobre samba (“ Laiá, Laiá ”), mergulhos em personagens (“ Marcelo Yuka: No Caminho das Setas ”, “ Marighella ”, “Olhe pra Mim de Novo”, “ Os Últimos Cangaceiros ”), painéis sobre pichadores ( “Luz, Câmera, Pichação !”) e pilotos de Fórmula 1 ( “A Era dos Campeões ), os bastidores do teatro (“ Mentiras Sinceras ”) e Eduardo Coutinho (“ As Canções ”), que é dono de uma categoria à parte.

Para falar a verdade, é até covardia colocar os outros para concorrer com esse mestre que consegue surpreender mesmo quando não inova na forma. Está lá a cadeira de sempre, o fundo escuro, os personagens que entram e saem de quadro para falar de suas vidas – e, desta vez, cantar. Mas apenas ele consegue arrancar confissões tão íntimas e emocionantes, sem jamais desrespeitar os personagens. Só não leva prêmio se o júri for doido.

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No segundo pelotão, disputando a atenção caso o júri seja maluco, vêm “Marcelo Yuka: No Caminho das Setas”, de Daniela Broitman, que vai fundo nas contradições de seu protagonista, e “Marighella”, de Isa Grinspum Ferraz, que, sem contar com muitas imagens, aposta nas falas emocionantes de ex-companheiros de luta do líder da Ação Libertadora Nacional. “Os Últimos Cangaceiros”, de Wollney Oliveira, confia muito em seus dois incríveis personagens.

Já “Olhe pra Mim de Novo”, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, tem méritos, mas falha ao obrigar o protagonista, Syllvio Lucio, a ser astro de um road movie artificial.

“Mentiras Sinceras”, de Pedro Asbeg, pelo menos fez a lição de casa, acompanhando exaustivamente os ensaios da peça “Mente Mentira”, sem alcançar, no entanto, um resultado que pareça mais do que uma cópia pior de “Moscou”, de Eduardo Coutinho. Os demais nem tinham por que estar numa competição desse porte. Ainda assim, na média, a seleção de documentários da Première Brasil foi superior à do ano passado, que tinha apenas um filme realmente bom, “Diário de uma Busca”, de Flavia Castro.

George Magaraia
Eduardo Coutinho

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