"É possível fazer filmes sem Hollywood", diz cineasta inglês

Gareth Edwards, diretor do comentado "Monstros", rodou o misto de ficção científica e história de amor com menos de US$ 500 mil

Mariane Morisawa, especial para o iG |

George Magaraia
O cineasta inglês Gareth Edwards em entrevista exclusiva ao iG

O inglês Gareth Edwards, 35, diretor do comentado "Monstros", que tem exibições nesta sexta-feira (1) e no sábado (2) no Festival do Rio, está se debatendo com os resultados do sucesso. Sua estreia em longa-metragem, rodada com pouquíssimo dinheiro – Edwards não sabe ao certo, mas acredita que tenha sido algo como US$ 200 mil a US$ 400 mil –, foi apresentada em março no festival South by Southwest e gerou um buzz na indústria desde então, mesmo com seu ritmo contemplativo e economia na ação. Com uma latinha de refrigerante na mão – ele tinha ido conhecer a noite carioca no dia anterior –, o diretor falou com exclusividade ao iG na manhã desta quinta-feira (30):

iG: Já tinha vindo ao Brasil?
Edwards: Não. Na verdade, o mais ao sul em que já tinha estado era a Bolívia. Eu estava fazendo os efeitos especiais para um documentário da BBC rodado no país e fui para lá. Na verdade, uma das cenas que está no filme foi uma coisa que aconteceu realmente. Estávamos no meio da floresta, com pessoas abrindo a picada a machete, e deparamos com uma pirâmide. E eles falavam que tínhamos de sair antes de escurecer, porque só havia uma grande lanterna. Só que continuamos filmando, ficou um breu, mas conseguimos chegar. Estávamos no carro e, de repente, o da frente parou. Todo o mundo começou a olhar para as árvores, eu fiquei meio paranóico e achei que haviam criaturas lá.

iG: Como surgiu esse projeto?
Edwards: Sempre quis fazer um filme de monstro. Como cineasta, é difícil conseguir emprego. Então fui trabalhar em efeitos especiais. Achei que era um bom jeito de entrar na indústria. Mas fiquei meio destacado do meu sonho de ser cineasta, apesar de sempre ter procurado projetos para meu primeiro filme, algo barato, que eu pudesse fazer os efeitos eu mesmo. Estava em férias um dia e vi uns pescadores puxando a rede e conversando. Imaginei como seria se, presa na rede, estivesse uma criatura estranha, mas que os pescadores agissem de forma normal, porque aquilo era normal para eles. Me pegou essa coisa de que algo tão estranho pudesse ser normal. Foi com essa ideia que vendi o filme à produtora. Não tinha história nem nada. Aí trabalhamos durante três meses para concebê-la e chegar aos personagens de um homem e de uma mulher e inevitavelmente virou uma história de amor.

iG: Mas você fez como baixo orçamento porque era o único jeito ou para provar que é possível ter um filme de monstros com pouco dinheiro?
Edwards: Claro que era a única opção, porque você fica na fila para ser cineasta durante 20 anos. Você tem de carregar cabo de luz por dez anos, e eu não queria fazer isso. Mas as tecnologias digitais permitiram que todos façam seus filmes sozinhos, sem dinheiro de Hollywood. Sempre achei que alguém seria a primeira pessoa fazer um filme que parecesse de Hollywood de seu próprio quarto. Comprei meu primeiro computador em 1998, pensei que ia tentar fazer e que haveria 10 mil cineastas no mundo todo tentando. Só que eu mesmo levei uma década para melhorar em computação gráfica. Fico surpreso que não tenha conseguido fazer antes e que não tenha mais filmes sendo feitos assim, mas acho que haverá. Agora mesmo na internet somos comparados a muitos filmes, é inevitável. Outro dia nos compararam a um filme novo, perguntando: Será este o novo Monstros?. Eu pensei: yes! Você sabe que está bem quando comparam outros filmes ao seu. Adoro a ideia de que mais cineastas jovens podem ir e fazer seu filme, porque eles podem. Acho que para quem quer e tem habilidade, é possível.

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