¿Dois Irmãos¿ conta história simples sem cair na irrelevância

O argentino Daniel Burman comove e faz rir com trama sobre a relação complicada e de dependência entre Susana e Marcos

Mariane Morisawa, especial para o iG |

O argentino Daniel Burman segue falando de relacionamentos em “Dois Irmãos”, baseado no romance “Villa Laura”, de Sergio Dubcovsky, e exibido em sessão de gala no Festival do Rio, na noite desta quinta-feira (30), no cine Odeon. Como sempre, faz um filme pequeno, com apenas dois protagonistas, humor sofisticado e emoção na medida certa.

Marcos (Antonio Gasalla) anulou-se para cuidar da mãe, Neneca. Quando ela morre, o sessentão solitário precisa tomar conta de sua própria vida, o que não é nada fácil, dada a relação de amor e ódio que tem com a irmã Susana (Graciela Borges). Ela é uma mulher impulsiva, que fala e age sem pensar e pode ser bastante cruel. Sufoca o irmão, a quem desconsidera como sendo um incapaz. Ela decide vender o apartamento da mãe e mandar Marcos para uma casa no Uruguai, em Villa Laura, onde ele começa a descobrir uma vida própria.

Daniel Burman não costuma usar firulas estéticas nem colocar milhões de significados nas ações de seus personagens. Seu grande mérito é criar protagonistas em que o espectador acredita plenamente, por mais complicados que sejam, e relacionamentos profundos e complexos, feito dos detalhes. Susana poderia ser uma pessoa odiosa, mas é impossível não gostar dela – certamente, o diretor a ama. Burman faz o que todos os filmes apresentados na Premiere Brasil até agora procuram fazer, sem sucesso: contar bem uma boa história sem cair na irrelevância, o que demonstra que seu cinema só é simples aparentemente.

    Leia tudo sobre: festival do riodois irmãosargentina

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG