Documentário “Luz, Câmera, Pichação” fica na superficialidade

Filme sobre pichadores cariocas acumula depoimentos e parece apenas uma longa reportagem

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Divulgação
Cena do documentário "Luz, Câmera, Pichação"
Há poucos grupos tão odiados nas cidades quanto os pichadores. O documentário “Luz, Câmera, Pichação!”, de Marcelo Guerra e Gustavo Coelho e co-dirigido por Bruno Caetano, exibido na competição da Première Brasil do Festival do Rio na noite deste domingo (9), pretende dar voz aos cariocas que rabiscam seus nomes nos muros da cidade.

O filme acompanha alguns pichadores em suas aventuras pelas marquises e viadutos – essas cenas são o que ele tem de melhor. Depois, ouve vários personagens sobre muitos assuntos: as razões por trás da pichação, a repressão, as mortes.

Em geral, os pichadores vêm seus nomes como marcas. Portanto, tanto melhor quanto mais lugares eles estiverem expostos. Como os participantes do Big Brother Brasil, são vaidosos e estão atrás de uma suposta fama – chegam a procurar seus nomes estampados em muros nas fotos dos jornais.

Muitos se dividem em personalidades duplas: o pichador, sempre maluco, e o sujeito normal que tem emprego e família. É aí que o documentário perde a chance de ser mais do que uma reportagem de televisão longa demais.

Os diretores não se aprofundam nem nas personalidades, nem nos cotidianos e limitam-se a registrar opiniões rasas e histórias desinteressantes. Falta, em suma, um ponto de vista, que poderia tirar “Luz, Câmera, Pichação!” da superficialidade.

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