Disputa equilibrada entre as ficções desta edição do Festival

“O Abismo Prateado” e “Sudoeste” merecem os principais troféus da Première Brasil, que neste ano tem mais candidatas ao prêmio de atriz que de ator

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Os estreantes dominaram a seleção da Première Brasil neste ano – sete entre os nove concorrentes eram primeiros filmes. Em relação ao ano passado, que contava com seis debutantes, houve uma melhora significativa na qualidade. Em 2010, os longas primavam pela irrelevância, algo que não se pode dizer dos candidatos deste ano, quase todos donos de propostas narrativas e estéticas. As exceções são “A Novela das 8” , de Odilon Rocha, um equívoco completo, e “ A Hora e a Vez de Augusto Matraga ”, de Vinicius Coimbra, incapaz de traduzir sua visão de western em imagens.

Como sempre, é difícil tentar adivinhar o que passa na cabeça do júri, formado neste ano pelos cineastas Roberto Farias e Aluizio Abranches, pela roteirista Adriana Falcão, pela produtora portuguesa Pandora da Cunha e pela documentarista argentina Vanessa Ragone – um outro júri, separado, escolherá o melhor estreante.

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Mas, se tudo correr bem, os jurados não deveriam desprezar nem “ O Abismo Prateado ”, de Karim Aïnouz, uma bela jornada sensorial pelas emoções de uma mulher abandonada, nem “ Sudoeste ”, de Eduardo Nunes, que, apesar de às vezes se esforçar demais, é um impressionante exercício de estilo. “ Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios ”, de Beto Brant e Renato Ciasca, é mais irregular ao destacar o pano de fundo conflituoso no Pará sobre a paixão de Cauby (Gustavo Machado) e Lavínia (Camila Pitanga).

Entre os filmes de produção menor, “ Mãe e Filha ”, de Petrus Cariry, surpreende por extrair muita beleza de seus parcos recursos orçamentários. A fotografia e o som são impactantes, ainda que a emoção fique um pouco de lado numa racionalização excessiva. “ Girimunho ”, de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina, é ousado na proposta, ao misturar fantasia e realidade, documentário e ficção, cinema e videoarte. Nem sempre funciona. “ Histórias que Só Existem Quando Lembradas ”, de Julia Murat, tem alguns ótimos momentos, principalmente por conta dos velhinhos, mas deixa muitas pontas soltas. Mesmo com todas as diferenças, o problema de boa parte dessas obras é a ausência da procura pela comunicação, seja com que público for.

George Magaraia
Camila Pitanga
O mais surpreendente na competição deste ano é que, ao contrário do que normalmente acontece, há mais candidatas ao prêmio de melhor atriz do que ao troféu de melhor ator. Alessandra Negrini, por “O Abismo Prateado”, e Camila Pitanga, por “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, despontam como favoritas. Mas não seria injusto premiar Sonia Guedes, por “Histórias que Só Existem Quando Lembradas”. Curioso é que tanto “Mãe e Filha” (Zezita Matos e Juliana Carvalho), quanto “Sudoeste” (Simone Spoladore e Dira Paes) e “A Novela das 8” (Claudia Ohana e Vanessa Giácomo) têm como protagonistas mulheres. As favoritas ao troféu de coadjuvante parecem ser Dira Paes e, se o júri quiser muito premiar “A Novela das 8”, Vanessa Giácomo, que faz o que pode.

No caso dos homens, há apenas dois candidatos claros ao prêmio de melhor ator: Lázaro Ramos, uma das poucas coisas decentes do complicado “Amanhã Nunca Mais”, e Gustavo Machado, por “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”. João Miguel é muito prejudicado pela direção em “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, mas Irandhir Santos pode levar o troféu de coadjuvante. Seu principal concorrente é Zecarlos Machado, por “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”. A cerimônia de premiação acontece na noite da terça-feira (18), no cine Odeon.

George Magaraia
João Miguel

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