Diretor Walter Carvalho “toca Raul” no Cine Odeon

Documentário sobre o roqueiro “maluco beleza” encerra sessões de gala no Festival do Rio

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Raul foi poeta, rebelde, músico, alternativo, maluco beleza. Dono de muitos rótulos – e de nenhum deles – o roqueiro encerrou as sessões de gala no Festival do Rio em grande estilo. O documentário "Raul Seixas - O Início o Fim e o Meio", de Walter Carvalho, foi exibido para convidados na noite desta segunda-feira (17), no Cine Odeon. Há dois anos, no mesmo cinema, no mesmo festival, um teaser de cinco minutos servia de aperitivo do que Walter andava preparando. O dia da degustação completa enfim chegou. “Estou muito feliz de apresentar pela primeira vez em público aqui no Festival do Rio”, disse o diretor.

Nem as mulheres (e foram muitas) de Raul, nem os amigos que deram depoimentos emocionados viram antes o resultado. Era surpresa aguardada por todos. Até a tão amada guitarra do “Maluco Beleza” esteve presente na exibição. “É uma maneira de trazer a presença deles a vocês. Essa guitarra o acompanhou por muito tempo”, disse Walter, que já co-dirigiu outra cinebiografia de um ícone da música brasileira, “Cazuza – O tempo não para”. O famoso grito "Toca Raul" não ficou de fora e foi repetido inúmeras vezes durante o discurso de apresentação do documentário. Ao longo de quase duas horas e meia de filme, era possível ouvir as pessoas cantarolando baixinho alguns de seus grandes sucessos ainda hoje tão presentes no imaginário popular. O Odeon, por que não, virou um grande karaokê.

Noite de saudosismo

“Eu adoro cinema. Espero acabar em Hollywood, fazendo filme”. Com esta frase Raul Seixas, em uma cena no documentário, expressou a paixão pela sétima arte. O saudosismo marcou a noite. No tapete vermelho dois covers de Raul Seixas faziam sucesso, tirando fotos com os espectadores. Personagens importantes na vida do roqueiro baiano, como o compositor Cláudio Roberto e as ex-mulheres Kika Seixas e Tania Menna Barreto lembravam, emocionados, momentos marcantes. “Ele é um ícone. Mais do que isso é meu amor, marido e pai da minha filha. A mensagem dele é eterna”, afirmou Kika.

O filme, segundo o diretor, não era uma tentativa de decifrar o mito. Mas uma forma de celebrar a sua obra e sua importância. “Ele detestaria ser explicado ou analisado. Raul não se explica, se sente. O que mais marcou na trajetória dele é a irreverência e o artista libertário. Ele cantava a vida e morreu por amor”, disse Walter.

Leia também: “Raul: O Início, o Fim e o Meio” é para fanáticos

Caetano Veloso, que participa do documentário com alguns depoimentos de seus encontros com Raul, também esteve presente a sessão. Logo ao chegar, correr à fila da pipoca, para não perder o começo do filme. “Raul é indefinível e genial. Waltinho é um diretor que adoro, tem sensibilidade no coração”, disse. A atriz Patrícia Pillar, que levou aos cinemas há três anos a vida e obra de Waldick Soriano, emendou: “Raul sempre vai ser lembrado pelos seus textos e a maneira de ser contestador e lúdico, ao mesmo tempo. Além disso, era muito bem humorado”.

null Emoção até o fim

No final da sessão, a comoção era grande. O cover Penna Seixas subiu ao palco, tirou a camisa e mostrou suas tatuagens em homenagem ao ídolo, falecido em 1988, mergulhado no alcoolismo. “Viva a sociedade alternativa!”, gritava o cover, que o imita há 25 anos. “Quando tinha 13 anos, ele ainda era vivo, tomei banho no mesmo rio que ele, na Bahia. Desde lá, criamos uma ligação. Raul está muito vivo e presente aqui, hoje”, afirmou.

Tania Menna Barreto, terceira mulher de Raul, estava entre os presentes. Se antes de entrar na sala exibia um certo ar de ressalva a apreensão sobre o que estava por vir, ao término era só emoção. As lágrimas não se continham. “Muita, muita emoção. De arrepiar! Senti a presença dele. É uma saudade que dói e ao mesmo tempo nos conforta. Ele foi isso tudo e muito mais”, disse ela.

O Festival do Rio terá na noite desta terça-feira sua premiação oficial para a mostra competitiva, também no Cine Odeon.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG