Conheça quem faz o Festival do Rio acontecer

Reportagem do iG foi atrás das pessoas anônimas que trabalham duro para que as sessões do cinema aconteçam com todo o requinte

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Na correria entre uma sessão e outra, muita gente não percebe, mas tem uma equipe trabalhando sem parar para que todo o Festival do Rio aconteça dentro da normalidade e com o conforto que os cinéfilos exigem. No cine Odeon, centro da cidade, onde acontecem as premieres mais disputadas e os tapetes vermelhos dos filmes da mostra competitiva, faxineiros, pipoqueiros e garçons se revezam em turnos especiais até altas horas da noite. O descanso só vem depois que some do telão o último crédito do último filme do dia.

Quem entra pelo tapete vermelho recebe um “bom noite” de grandalhões com blazer e camisa do festival. Cicero Santos da Silva, Luiz Carlos Figueiredo e Alcimar Pereira são os seguranças que dão suporte aos que trabalham no local e conferem as credenciais dos jornalistas que chegam para cobrir o evento. “Em noite fechada ao público, não adianta insistir. Só entra com credencial ou convite, não tem jeito”, avisa Alcimar.

Em alguns casos o trabalho desses profissionais se complementa. A pipoqueira Iza Donato, por exemplo, vende seus saquinhos de pipoca a R$ 2. Nos primeiros dias, a pipoca foi de graça. Após o público deixar o salão principal, entra em cena o trio formado por Michelle Yarochewsky, Victor Oliveira de Souto e Andressa Coutinho. Munidos de vassouras, eles limpam as pipocas que ficaram pelo caminho. José Carlos não sabe nem quantos capuccinos (R4,50) serve por dia. E Fátima Abreu confere cada carteirinha de estudante a fim de pagar meia entrada na bilheteria.

Filmes em inglês, francês e até em espanhol – A Argentina é homenageada desse ano, por isso vários filmes do país “hermano” – só são compreensíveis para parte do público porque Igor Farah fica lá no segundo andar do cinema. Seu trabalho? Soltar as legendas de cada filme, a partir de um programa em seu laptop. De vez em quando o computador resolve não colaborar e a legenda vem antes ou depois da hora certa. “Tento consertar na hora, para que ninguém reclame”, diz.

Edmar dos Santos é quem fica na sala de projeção, comandando cada nova sessão disputada no Odeon. Um problema o deixou nervoso na noite de terça-feira (28). O filme francês que estava sendo exibido veio com um erro. Na segunda metade, estava emendado com um longa russo. “Não foi culpa minha”, diz. O público pôde pegar seu dinheiro de volta. Com quem? Com a bilheteira Fátima Abreu.

Há uma pessoa responsável até pelo cartaz que fica na entrada do cinema, anunciando a próxima sessão. A jovem Luiza Viglio se reveza com outras amigas para trocar o anúncio a cada horário predefinido pela organização. Assim como os demais, para Luiza o Festival acontece “fora” das salas de projeção.

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