Competição de curtas apresentou muitos filmes ruins

Produções de piada fácil e com dramaturgia falha quase eclipsam bons trabalhos como "Vento", "Tempestade" e "Em Trânsito"

Mariane Morisawa, especial para o iG |

Se a competição de longas-metragens de ficção não chegou a empolgar, mas também não trouxe bombas, a disputa entre curtas no Festival do Rio decepcionou pela quantidade de filmes ruins.

"Vida Boa", de Marcelo Presotto, é um videoclipe sobre um dia de um trabalhador brasileiro em que nem a música casa com as imagens. "Simpatia do Limão", de Miguel de Oliveira, é o famoso curta de piada, uma bobagem envolvendo uma mulher que vai à cartomante para desfazer uma simpatia que deu certo para atrair o marido de volta. "O Bolo", de Robert Guimarães, fez enorme sucesso com o público, mas também é outro curta de piada fácil, estilo Zorra Total. Sério, alguém ainda acha transgressor ver um filme em que a pessoa come um bolo de maconha por engano e enlouquece? O riso é provocado unicamente pelo preconceito, porque a personagem em questão não só é a empregada, como é evangélica. Salva-se apenas a atuação de Fabíula do Nascimento.

"Desperdício", de Cadu Fávero, parece mais um vídeo institucional sobre o desperdício de comida, extremamente literal. Também é um pouco o problema de "Homem-Bomba", de Tarcísio Lara Puiati, sobre dois garotinhos que trabalham para o tráfico. Com dramaturgia frágil e direção capenga, "Um Par a Outro", de Cecilia Engels, mostra um casal homossexual que se envolve com Maira numa noitada, o que gera consequência inesperada. O documentário "Dois Mundos", de Thereza Jessouroun, perde-se entre muitas entrevistas de surdos sobre o mundo do silêncio e o mundo sonoro. O filme acaba ficando repetitivo, o que é uma pena, porque há um ótimo personagem ali, host de uma boate de drag queens.

Alguns bons curtas-metragens salvaram a competição, ainda que a maioria passe longe de ser brilhante. O mais elaborado é "Vento", de Marcio Salem, sobre uma cidade onde para de ventar. A animação "Tempestade", de Cesar Cabral, também impressiona. "Em Trânsito", de Cavi Borges, aposta na delicadeza para exibir o reencontro de dois amigos de infância e ex-namorados num dia no Rio. "Bartô", de Gunter Sarfert e Onon, brinca com a burocracia criando um clima engraçado e contando com boas atuações. Também vale destacar "Love Express", de André Pellenz, sobre um homem e uma mulher que se conhecem naqueles encontros expressos promovidos por agências. No início, parece que vai ser um curta de piada, mas não. Com delicadeza, atuações naturais e bons diálogos, o diretor supera a expectativa do público.

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