Clássico de Roberto Faria volta a ser exibido após restauração

Obra é de 1957. Noite de tapete vermelho também contou com novo longa de Cao Guimarães, o filosófico-delirante ¿Ex Isto¿

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Clima de nostalgia na noite dessa segunda-feira (4) no cine Odeon. “Rico ri à toa”, 53 anos depois, volta a ser exibido ao público, totalmente restaurado. Uma obra do diretor Roberto Faria. “Esse foi o primeiro filme que dirigi na vida e até hoje é o mais importante da minha carreira. Na época não existiam políticas de incentivo, era só dinheiro vindo da iniciativa privada”, disse o diretor.

O filme conta a história de um motorista de táxi, que mora em uma favela e, de repente, fica milionário e muda de vida. “Estou muito feliz de reapresentar o filme aqui. Acabaram de restaurar todo filme e ele está novo”, continuou ele.

O centro de pesquisadores do cinema brasileiro fez uma restauração no negativo, na película do filme. O longa trata de um tema que está dentro do imaginário do brasileiro, que são a comédia e a chanchada.

Para João Luiz Vieira, professor de cinema da UFF (Universidade Federal Fluminense), a sessão de grandes clássicos do cinema nacional, uma das mostras do Festival do Rio, é uma das mais aguardadas. “Essa sessão é a que considero mais importante do Festival o, porque é bom sabermos da produção cinematográfica contemporânea, mas temos que ter um olhar para história. É o reencontro de uma obra que estava esquecida. É emocionante poder rever o trabalho do Zé Trindade e da Violeta Ferraz, que já não estão mais aqui”, disse.

George Magaraia
Roberto Faria, diretor de "Rico ri à toa"

Filosofia nos trópicos

Último filme da noite, “Ex Isto”, de Cao Guimarães, conta uma história fictícia que podia ter sido verdade. A vinda do pensador René Descartes ao Brasil, junto com a frota do holandês Maurício de Nassau, na época do Brasil Colônia. Mas não se trata de um filme histórico, mas sim filosófico.

João Miguel, que interpreta o filósofo, falou ao iG sobre seu papel. “Gravamos por 15 dias com uma equipe de seis pessoas. O filme conta a história de Descartes, que criou o pensamento ocidental, e derreteu a ideia cartesiana. Trabalhamos com uma hipótese histórica, que o livro de Leminski discute: E se René Descartes tivesse vindo ao Brasil com Maurício de Nassau? No processo do livro quase passei a ser obsessivo pela obra de Leminski e li algumas coisas bacanas de Descartes”, disse.

Cao Guimarães se inspirou no livro “Catatau”, de Paulo Leminski. “Esse trabalho foi muito importante para mim porque pude investigar e saber mais sobre o poeta mais importante da década de 30. A princípio ele pode ser um pouco hermético, um livro impenetrável. Eu demorei muito para ler e vi aquele objeto estranho despertar aos poucos minha curiosidade. A história representa o processo de enlouquecimento da razão”, explicou.

George Magaraia
João Miguel interpreta o pensador René Decartes

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