Artistas comentam escolha do filme sobre Lula para tentar vaga ao Oscar

¿Lula, o filho do Brasil¿, de Fabio Barreto, foi escolhido para concorrer a uma indicação ao Oscar 2011, na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Foi um dos principais assuntos da noite de abertura do Festival do Rio, no cine Odeon, centro da cidade, na quinta-feira (23). A escolha do filme “Lula, o filho do Brasil” não foi bem aceita por parte dos artistas ouvida pela reportagem do iG .

O diretor Marcos Paulo assim resumiu sua indignação: “Uma palhaçada”. Othon Bastos era outro que não sabia o que responder, perplexo. “O filme do Lula foi o selecionado? Não tenho nada a declarar...Estou espantado”, disse.

George Magaraia
Marcos Paulo, ao lado da mulher Antônia Fontenelle, criticou a escolha do filme sobre o Lula para concorrer a uma vaga do Oscar em 2011

A atriz Priscila Rozembaum estava na torcida por outro longa. “Não vi o filme do Lula, mas minha torcida era para o '5 x Favela – Agora por nós mesmos', de Cacá Diegues. Fiquei apaixonada pela história, atores, enfim...pelo longa! Acho que o Lula está com uma conjunção astral fantástica. Não acredito nessas coisas, mas que os astros estão em cima dele, isso estão”, afirmou.

Bruno Barreto, irmão de Fabio, não se preocupa com as críticas que surgiram imediatamente após o anúncio da escolha do representante brasileiro. “Ficamos muito emocionados com a escolha. A família está muito feliz, mas não em festa porque o meu irmão está na cama, em coma. Com certeza ele seria o mais contente. O filme foi escolhido por unanimidade e o comitê não ia topar qualquer tipo de influência. Mas é o que o Tom Jobim disse: ‘Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal’”, disse ele ao iG .

George Magaraia
Bruno Barreto, irmão de Fabio: "feliz com a escolha"
Fabio sofreu um grave acidente de carro no final do ano passado, e está desde então em coma.

Houve ainda os que saíram em defesa do filme, que narra a trajetória do presidente. José Wilker foi um deles. “Acho ótimo ele ter sido selecionado. Vamos torcer”. Sobre uma possível influencia com as eleições chegando, ele disse: “Bobagem, tudo bobagem”. O diretor Andrucha Waddington também não acredita que houve pressão política. “Acho que temos uma comissão competente para julgar qual é o melhor filme para representar o Brasil. Eles têm o critério deles e devemos respeitar essa decisão. É o melhor que fazemos”, disse.

A comissão que escolhe o representante nacional é formada por membros do MinC (Ministério da Cultura) e da Secretaria de Audiovisual. As indicações do Oscar serão anunciadas em 25 de janeiro. São apenas cinco vagas, para cerca de 95 países. A festa de premiação do Oscar acontece no dia 27 de fevereiro.

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