Argentina apresenta produção variada e de qualidade

A mostra Foco Argentina é um dos destaques desta edição do Festival do Rio

Mariane Morisawa, especial para o iG |

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Cena de "Viúvas Sempre às Quintas"
A Argentina é o país homenageado neste ano pelo Festival do Rio. Nada mais justo, dada a variedade da produção e a qualidade dos cineastas argentinos, sempre presentes em festivais internacionais. Nomes já consagrados e conhecidos por aqui, como Marcelo Piñeyro, Pablo Trapero e Daniel Burman, estão presentes no Foco Argentina.

O primeiro surge com "Viúvas Sempre às Quintas", sucesso de bilheteria com sua trama de suspense sobre três mortes aparentemente acidentais num condomínio fechado de Buenos Aires. Trapero vem com "Carancho", exibido na mostra "Um Certo Olhar" no último Festival de Cannes. Ricardo Darín interpreta Sosa, um advogado especializado em acidentes rodoviários que ronda hospitais, delegacias e locais de acidentes à procura de clientes. Até que ele se apaixona pela paramédica Luján (Martina Gusman) e decide mudar de vida. Já Burman volta a falar de família em "Dois Irmãos", baseado no romance Villa Laura, de Sergio Dubcovsky. Na trama, Marcos, que cuidou da mãe até a morte dela, é obrigado pela irmã a sair do apartamento onde sempre morou. Ele busca refúgio num resort e encontra uma nova vida.

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O ator argentino Ricardo Darín protagoniza "Carancho"
Ator preferido de Burman, Daniel Hendler estreia na direção com "Norberto Apenas Tarde", sobre um homem que, depois de demitido, tenta superar a timidez e tornar-se corretor de imóveis. As dificuldades econômicas aparecem em outras produções de estilos diversos. Em "França", de Israel Adrián Caetano, os pais de Mariana, separados há anos, voltam a viver na mesma casa porque a mãe precisa do dinheiro e o pai, de um teto. Em "A Culpa É Sua", de Anahí Berneri, Julieta tenta se virar para cuidar sozinha dos dois filhos, num apartamento pequeno. Uma noite, Teo se machuca quando está fazendo bagunça com o irmão Valentín.

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"O Homem do Lado" foi exibido em Sundance
Santiago Loza apresenta duas produções. Em "A Invenção da Carne", María cede seu corpo para aulas práticas da Escola de Medicina, em troca de pagamento. O estudante Mateo fica obcecado por ela. Já no filme "Os Lábios", co-dirigido por Ivan Fund, três mulheres realizam trabalho de assistência social numa pequena cidade do interior. As atrizes Adela Sanchez, Eva Bianco e Victoria Raposo foram premiadas como as melhores da seção "Um Certo Olhar", no Festival de Cannes deste ano.

Crises familiares e pessoais também estão na pauta. Em "O Que Mais Quero", de Delfina Castagnino, Pilar acaba de perder o pai. Sua amiga María, decidida a terminar o noivado, vai consolá-la. Já a diretora Victoria Galardi, em "Aos Pés de Monte Bayo", trata das tensões despertadas numa família quando a matriarca tenta matar-se e fica em coma. Em "Quebra-Cabeça", exibido no Festival de Berlim, outra cineasta, Natalia Smirnoff, conta a história de María, que passou a vida cuidando do marido e dos filhos, até descobrir um talento incomum para montar quebra-cabeças. Vencedor do prêmio de melhor fotografia em Sundance, "O Homem do Lado", de Mariano Cohn e Gastón Duprat, mostra um homem que fica obcecado quando um vizinho decide construir uma janela bem em frente à sua casa.

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"Andrés Não Quer Dormir a Sesta" aborda a ditadura militar argentina
A ditadura militar iniciada em 1976, um evento traumático na história da Argentina, continua sendo assunto e pano de fundo para muitos longas-metragens, como "Andrés Não Quer Dormir a Sesta", de Daniel Bustamante, sobre um garoto que vai morar com a avó, vizinha de um campo de detenção clandestino, e assim aproxima-se da ditadura. Em "Cúmplices do Silêncio", de Stefano Incerti, um jornalista italiano viaja a Buenos Aires para cobrir a Copa do Mundo em 1978, trazendo dinheiro para uma militante contra a ditadura, por quem ele se apaixona.

Inspirado no romance "Ciencias Morales", de Martín Kohan, "O Olhar Invisível", de Diego Lerman, tem como protagonista Maria Teresa, contratada por um colégio de elite da Buenos Aires do fim da ditadura militar. A direção da escola busca manter os alunos à parte das mudanças do país, e a jovem vira a vigilante dos acontecimentos daquele ambiente. Em "Sinto Sua Falta", de Fabián Hofman, um adolescente é mandado para o México depois que seu irmão torna-se um dos tantos desaparecidos durante a ditadura militar, vivendo sob o peso de sua morte.

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O longa "O olhar invisível" é inspirado no romance "Ciencias Morales"
Completam a programação "O Mural", de Hector Olivera, sobre a estada do pintor mexicano David Siqueiros na Buenos Aires da década de 1930. Já "Zenitram", de Luis Barone, vai à Buenos Aires de 2025 para contar a história de Rubén Martínez, que, ao pronunciar a palavra “zenitram”, seu sobrenome ao contrário, torna-se um super-herói e luta pela liberação da água, cujas reservas são dominadas por uma grande corporação.

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