Andrucha Waddington: ¿Cinema também é coisa de macho¿

Coube ao diretor encerrar o tapete vermelho do cine Odeon, com a exibição de ¿Lope¿, na noite desta quarta-feira

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Empolgado com o grande público presente à sala do Odeon, Centro do Rio, Andrucha Waddington falou ao iG, na noite desta quarta-feira (6), antes da exibição de “Lope”, que dirigiu ao longo dos últimos cinco anos.

O longa é uma coprodução Brasil-Espanha, que narra a juventude do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega. No elenco, Selton Mello vive o Marquês de Navas, Sonia Braga vive a personagem Paquita, mãe de Lope. Ficou para o espanhol Alberto Ammann o papel principal. O filme tem ainda a presença da atriz Pilar López de Ayala e Leonor Watling.

George Magaraia
Waddington leva ao festival a juventude do poeta e dramaturgo espanhol Lope de Vega
Confira a seguir o bate-papo com o diretor.

iG: Qual é a sensação de estrear seu filme no Festival do Rio, depois de já ter exibido em festivais internacionais?
ANDRUCHA: Lançar o filme no Rio é como torcer pelo time do Olaria e jogar na rua Bariri. É um prazer enorme. Foi um filme que demorou cinco anos para ficar pronto. Usamos locações em Madri, na Espanha, e em Marrocos. O elenco se tornou uma família, de verdade.

iG: Os espanhóis parecem não ter gostado muito do filme, não?
ANDRUCHA: Em Veneza, no festival desse ano, a crítica foi positiva. Na Espanha é que eu sempre ouvia a mesma pergunta: “por que um diretor brasileiro para fazer um filme sobre um personagem espanhol?”. Eles não conseguiam entender que isso é muito normal no mundo.

iG: O que você respondia quando eles te perguntavam isso?
ANDRUCHA: Respondia que os americanos fazem muito isso, é a coisa mais comum na indústria do cinema. O que importa é o talento. Pesquisei tanto sobre a vida de Lope quanto pesquisaria sobre Padre Cícero, se fosse filmar uma história dele. Para mim, não é um personagem diferente só porque é espanhol e não brasileiro como eu.

iG: Como foi a escalação do Selton Mello?
ANDRUCHA: O Selton foi um pedido meu para ser inserido no elenco, sempre quis trabalhar com ele. Quando vi que precisaria de um ator para interpretar um poeta português, pensei nele. Falei pro Selton que ele ia tirar de letra, porque o personagem é um playboy do século 16 (risos).

iG: No período das filmagens, você teve que morar na Europa. Como foi ficar tanto tempo longe de casa?
ANDRUCHA: Ia e voltava diversas vezes. O maior tempo foi de janeiro a julho de 2009, quando fiquei em Madri direto. Mas usei muito o skype para me comunicar com meus filhos e assim matar a saudade de casa.

iG: Eles já pensam em seguir a carreira do pai?
ANDRUCHA: Eles já estão enveredando sim para o cinema. Tenho três ilhas de edição em casa, cinema é o playground deles. João, que acabou de fazer 18 anos, fez seu primeiro clipe. O Pedro, de 16, está aprendendo a editar. O Joaquim, de 11, e o Antonio, de 2, logo vão para o mesmo caminho.

iG: Cinema tem um tempo de trabalho bem diferente de TV. Isso te incomoda?
ANDRUCHA: Tenho uma história ótima, que nunca contei antes. Um amigo meu, na época em que estudávamos cinema, era de família de militares, bem tradicional. Daí chegou para o pai e falou que queria ser diretor de cinema. O pai disse que isso era coisa de veado. Meu amigo resolveu leva-lo para acompanhar um dia de filmagens. Das 4h da manhã às 23h, sem parar. O pai ficou vendo tudo e no final, cansado a beça, falou: “cinema é coisa para macho, mais do que o exército. Haja paciência”. É por aí (risos). Cinema é disciplina e determinação. E também é coisa para macho.

iG: E qual é seu próximo trabalho?
ANDRUCHA: Tenho a maior superstição com isso. Não gosto de falar de trabalhos que ainda não estão fechados. Mas já estou trabalho em novo filme, sim.

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