“A Hora e a Vez de Augusto Matraga” leva cinco 'Redentor'

Longa de Vinícius Coimbra foi eleito melhor filme pelo júri oficial e popular, ator, ator coadjuvante e prêmio especial de ator coadjuvante. Confira os vencedores

iG Rio de Janeiro * |

Desbancando os favoritos "Sudoeste" e “O Abismo Prateado”, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, o longa baseado no conto de Guimarães Rosa, levou cinco troféus – além do de melhor filme pelo júri oficial e popular, ainda tiveram os de ator, ator coadjuvante e prêmio especial de ator coadjuvante - na premiação do Festival do Rio 2011 . Horas antes da premiação, na noite da terça-feira (18) no cine Odeon, o presidente da Riofilme, Sérgio Sá Leitão , havia publicado o resultado no Twitter. Mas nada que tirasse o brilhantismo – e o nervosismo da festa. A premiação foi apresentada pelo casal Thiago Lacerda e Vanessa Loes, que começou a cerimônia com um “selinho”.

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Chico Anysio, que faz uma participação em “Matraga” , subiu ao palco em cadeira de rodas, levado com ajuda de outros convidados. “É uma honra ser o portador desse prêmio”, disse ele, que também ganhou o prêmio especial de ator coadjuvante. O público o aplaudiu de forma efusiva. Foi difícil para o diretor Vinícius Coimbra segurar a emoção. “Esse prêmio é muito especial mesmo. O filme nasceu da minha paixão pela obra de Guimarães Rosa, mas acima da paixão estava um desejo muito grande de levar essa história ao conhecimento do povo brasileiro”, disse Vinícius, enxugando as lágrimas e com voz bastante embargada. Em uma premiação em geral pulverizada, com farta distribuição de troféus, o seu filme concentrou alguns dos principais destaques da noite.

Emoção também se deu, ainda no começo da cerimônia, quando o diretor Carlos Marga, diretor de quase trinta longas, com 84 anos de idade, foi chamado ao palco. Uma homenagem e tanto viria a seguir. Uma estátua sua em tamanho natural foi inaugurada no canto direito da tela do Cine Odeon. Manga parecia não acreditar, com a mão na boca aberta. “Que isso, como pode! Que lindo. E ainda me fizeram jovem”, brincou o diretor.

Agradecimento ao ex

Camila Pitanga venceu o Redentor de melhor atriz por “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios” . Ela já era apontada como favorita em uma categoria que também tinha como candidatas Simone Spoladore, por “Sudoeste” e Alessandra Negrini , por “O Abismo Prateado”. “Boa noite, estou muito emocionada”, disse Camila, chorando.

George Magaraia
João Miguel e Camila Pitanga: os melhores atores do Festival do Rio 2011


Engoliu seco, respirou fundo, olhou para a plateia e continuou: “É minha cidade, minha casa, meu nascedouro. Agradeço ao júri por esse prêmio. Me sinto parte da família do cinema muito antes de ter nascido porque sou filha de Antonio Pitanga. Agradeço a você, pai, por me ingressar antes de eu nascer nessa família linda... À minha família, minhas filhas, ao pai das minhas filhas (Claudio Amaral Peixoto, com quem era casada na época da filmagem). E queria dedicar esse prêmio à minha mãe, Vera Manhães”, discursou a atriz, se emocionando mais uma vez.

O troféu de melhor ator foi para João Miguel, por “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” . “Obrigado, Vinícius, por ter me chamado para fazer esse personagem lindo. Matraga é um personagem apaixonante. Foi uma maravilha entrar em contato com um personagem deste tamanho”, disse ele, que concorria com Lázaro Ramos, nome mais forte entre outros, em uma edição que teve mais papeis femininos de destaque nos filmes apresentados.

Blockbuster x autoral


O Prêmio Especial do Júri foi para “Sudoeste” , de Eduardo Nunes. Foi ele quem abriu um “quase debate” sobre os caminhos que o cinema permeia rumo ao público, ora comercial demais, ora autoral demais. “Neste festival houve vários filmes pequenos e de autor. Queria pedir um pouco mais de atenção a esses projetos menores, que podem dar filmes muito bonitos”, disse o diretor. “Mãe e Filha” , de Petrus Cariry, levou menção honrosa.

Karim Aïnouz , que há nove anos apresentou seu primeiro longa no mesmo festival (“Madame Satã”) ganhou o Redentor de direção por “O Abismo Prateado” . “É uma honra receber esse prêmio. Queria lembrar que faz nove anos que passei meu primeiro longa aqui. E estou feliz de ainda estar fazendo cinema, nove anos depois. Gostaria de dedicar esse prêmio à nova geração, que ela faça cinema com inovação, coração e tesão.”
George Magaraia
Karïm Ainouz comemora o prêmio de melhor diretor


O júri deu um prêmio duplo na categoria fotografia: para Mauro Pinheiro Jr. por “Sudoeste” e para Petrus Cariry por “Mãe e Filha”. Odilon Rocha ganhou o prêmio de melhor roteiro por “A Novela das Oito” .

Coadjuvantes de peso

O Redentor de ator coadjuvante foi para José Wilker, por “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”. O júri também inventou um prêmio especial de ator coadjuvante para Chico Anysio, por “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” – seu nome não havia sido lido por Vanessa Lóes quando ela anunciou os concorrentes. “Recebo esse prêmio como um incentivo. Eu fiz todos os filmes para os quais me convidaram: quatro”, disse Chico, arrancando um misto de aplausos e gargalhadas dos presentes. “Achavam que eu não aceitaria, que eu ia cobrar muito caro. E ia mesmo. Mentira, eu nem cobro. E coadjuvante é um incentivo, porque é assim que se começa”, completou o humorista, cheio de gás.
George Magaraia
O homenageado da noite, Carlos Manga beija a mão de Chico Anysio


A vencedora do Redentor de atriz coadjuvante foi Maria Luísa Mendonça, por “Amanhã Nunca Mais”. Como ela não estava presente, Lázaro Ramos subiu ao palco para receber o troféu e colocou a atriz no viva-voz do seu celular. Maria Luísa demorou um tempo para acreditar. Foi preciso que a apresentadora Vanessa Lóes confirmasse para que ela finalmente agradecesse. “Sério? Eu estou falando pra todos no palco? Vocês estão me ouvindo? Que felicidade”, ela berrava pelo aparelho. Momento descontração.

O Redentor de melhor montagem foi para Jordana Berg, pelo filme “Marcelo Yuka: No Caminho das Setas” – curiosamente, a montadora não estava entre os indicados relacionados pelo apresentador Thiago Lacerda, já que se tratava de um documentário e não de uma ficção. Até Thiago ficou na dúvida ao anunciar.

Dúvida nenhuma teve o júri ao dar a Eduardo Coutinho, pelo belíssimo “As Canções” , Redentor de documentário. Coutinho ganhou em dose dupla, também pelo júri popular. “Nunca tinha ganhado prêmio do júri popular. É interessante porque não penso no público, penso em mim. Porque o público é um monstro de mil cabeças”, afirmou ele, humildade em pessoa, também aplaudidíssimo.
George Magaraia
Eduardo Coutinho


Confira a seguir a relação completa dos vencedores:

Premiados pelo Juri Oficial:
Melhor Longa-Metragem de Ficção – A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA, de Vinicius Coimbra
Prêmio Especial de Júri – SUDOESTE, de Eduardo Nunes
Menção Honrosa para MÃE E FILHA, de Petrus Cariry
Melhor Longa-Metragem Documentário – AS CANÇÕES, de Eduardo Coutinho
Prêmio Especial do Júri para – OLHE PRA MIM DE NOVO, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla
Melhor Curta-Metragem – QUAL QUEIJO VOCÊ QUER?, de Cíntia Domit Bittar
Menção Honrosa para Tempo de Criança, de Wagner Novais
Melhor Direção – KARIM AÏNOUZ por O ABISMO PRATEADO
Melhor Ator – JOÃO MIGUEL (A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA)
Melhor Atriz - CAMILA PITANGA (EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS)
Melhor Atriz Coadjuvante – MARIA LUÍSA MENDONÇA (AMANHÃ NUNCA MAIS)
Melhor Ator Coadjuvante - JOSÉ WILKER, (A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA)
Prêmio Especial de Júri para - CHICO ANÍSIO, (A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA)
Melhor Roteiro – ODILON ROCHA, por A NOVELA DAS 8
Melhor Montagem – JORDANA BERG por MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS
Melhor Fotografia - MAURO PINHEIRO JR. por SUDOESTE e PETRUS CARIRY por MÃE E FILHA

Juri Novos Rumos:
- Melhor Filme – RÂNIA, de Roberta Marques

Juri Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema):.
– Melhor Filme - SUDOESTE, de Eduardo Nunes

VOTO POPULAR
Melhor Longa-Metragem de Ficção de Voto Popular – A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA, de Vinicius Coimbra
Melhor Longa-Metragem Documentário de Voto Popular – AS CANÇÕES, de Eduardo Coutinho
Melhor Curta-Metragem de Voto Popular - PASSAGEIRO, de Bruno Melo

MOSTRA GERAÇÃO – JURI POPULAR
Lições de um sonho/ Lessons of a Dream, de Sebastian Grobler

* Participaram desta cobertura: Luisa Girão, Mariane Morisawa e Valmir Moratelli

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