Wagner Moura analisa o papel de pai no cinema nacional

Ator de “A Busca”, exibido na mostra competitiva do Festival do Rio, faz mais um filme cujo personagem é alvo de uma instável relação familiar. "É Procurando Nemo maduro", define

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro |

No seu mais recente filme, “ A Busca”, de Luciano Moura , Wagner Moura levanta mais uma vez a questão da paternidade segundo os dramas de seu personagem. “A Busca” se define como um thriller dramático, a partir da história de um jovem que, no fim de semana que completaria 15 anos, viaja mas não volta. Seu pai, o médico Theo, papel de Wagner, cai na estrada seguindo pistas desconcertantes. A viagem, que era para resgatar o filho, acaba transformando a vida do pai.

Se em “Tropa de Elite”, Capitão Nascimento estava entre a dura profissão de policial e a manutenção da paz e da ordem dentro de casa com uma família desestabilizada, agora em “A Busca”, ele volta ao dilema familiar.

Seu papel de pai é mais difuso, no cerne da discussão. Ele busca ser o pai ideal baseado no que seu pai nunca foi. Mas o que é ser um pai ideal? “Nosso personagem tenta manter o controle da situação na difícil missão de criar um filho. Ele tem a consciência de que precisa protegê-lo, mas passa pelo desconforto de saber de que é preciso ter limite nesta proteção”, explica Luciano Moura, em seu primeiro longa.

O cinema nacional tem tradição em filmes que buscam perguntas para o papel do homem na criação dos filhos e de que maneira isso implica em consequências para a vida familiar. Tanto que no Festival de Sundance , no começo do ano, vários críticos questionaram Wagner sobre a semelhança desse filme com o “Central do Brasil”, de Walter Salles. Na época, "Busca" se achamava "A cadeira do pai".

“Em ‘Central’ também se levantava esses dilemas. É o temor de se colocar alguém no mundo e depois não dar conta de tanto cuidado. Mas naquele filme havia a procura por um pai, aqui é a procura pelo filho. Até que ponto o filho é produto do pai?”, questiona Wagner.

O ator esteve recentemente em outro longa que também tinha como pano de fundo a dramática relação pai e filho. Em “Vips”, lançado no ano passado, o personagem central não tinha a figura do pai presente e, por isso, idealizou um delírio que o acompanhou à loucura. “Os mitos estão presentes na vida da gente mesmo que não se dê conta disso. Capitão Nascimento, por exemplo, é um desses mitos que parecem saídos da tragédia grega”, compara ele.

Wagner lembrou ainda de outro trabalho no cinema, no qual também estava inserido nestes dilemas paternais. O filme era de 2004, “Caminho das Nuvens”. “Meu personagem tinha cinco filhos e eu, na realidade, nenhum. Se fizesse ele agora, teria outra compreensão de mundo. Adoro aquele filme, mas não tinha a profundidade que se exigia para entender tudo como agora posso fazer”, analisa o ator.

Voltando ao “A Busca”, Wagner só não sabe responder o que faria se fosse posto no mesmo lugar do seu personagem: tendo eu procurar por um filho que foi embora de casa. “Rapaz! Isso deve ser terrível. Não quero nem pensar o que poderia fazer”, diz.

O filme de Luciano Moura, orçado em R$ 6 milhões, está na mostra competitiva do Festival do Rio 2012. Wagner se prepara para, em breve, lançar "Elysium", produção hollywoodiana ambientada em 2159. Tem como pano de fundo um mundo pós-apocalíptico em que a humanidade cria uma estação espacial para sobreviver fora do planeta Terra. Nesse cenário, um homem lutará para trazer igualdade entre essas duas realidades. Matt Damon e Jodie Foster são os protagonistas da história.

Mais detalhes, ele não dá. Encerra o papo dizendo que “A Busca” é um “Procurando Neno maduro”. E cita que um dos papeis que mais gostou de fazer foi “Hamlet”, há três anos, no teatro. A história do príncipe que tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, explora temas como a traição, vingança e moralidade.

Wagner diz que ainda há muito a se debater sobre o assunto.

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