"Yelling to the Sky" vale por Zoë Kravitz

Filha do cantor Lenny Kravitz faz papel principal em drama de família interracial

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
A jovem Zöe Kravitz em "Yelling to the Sky": trama nada sutil, e eventualmente artificial
A vida de Sweetness (doçura, em inglês) nada se parece com seu nome. A protagonista de “Yelling to the Sky”, exibido para jornalistas no final de semana dentro da competição do Festival de Berlim 2011 , é uma adolescente (vivida com presença por Zoë Kravitz, filha de Lenny Kravitz e Lisa Bonet) atacada na vizinhança e na escola, principalmente pela terrível Latonya Williams (Gabourey Sidibe, indicada ao Oscar por “Preciosa”).

Em casa, as coisas não são muito melhores. O pai (Jason Clarke), branco, é alcoólatra e violento, e a mãe (Yolonda Ross), negra, sai de casa depois de uma briga com ele. A irmã mais velha, Ola (Antonique Smith), também vai embora, deixando Sweetness à própria sorte. Com a ajuda do traficante local Roland (Tariq Trotter), que sempre ajudou as duas meninas, ela torna-se parecida com as pessoas que costumavam persegui-la.

A estreia de Victoria Mahoney na direção ( leia entrevista exclusiva ), aliás, é cheia de mudanças de personalidade. O pai parece doce no início, mas mostra-se um sujeito violento. A própria Sweetness é boazinha e fica terrível depois que tudo acontece. Todas as transformações são feitas de forma pouco sutil, de um jeito meio desengonçado mesmo. Parece que a diretora e roteirista achou pouco contar uma história de relacionamento interracial e de crescimento e queria surpreender o público sempre, mesmo que, no fim, tudo resulte artificial. O melhor aspecto de “Yelling to the Sky” é o elenco, principalmente Zoë Kravitz, que agarra a personagem com energia e vira a primeira candidata ao prêmio de melhor atriz.

Reuters
Gabourey Sidibe, de "Preciosa", e Zoë Kravitz posam juntas para a imprensa em Berlim
Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, com presença da diretora, do produtor Billy Mulligan e das atrizes Gabourey Sidibe e Zoë Kravitz, Victoria Mahoney disse que boa parte da trama é baseada em sua vida. “Espero que mais filmes sobre famílias interraciais surjam”, disse. Zoë Kravitz afirmou que, apesar de ter tido uma criação bem mais privilegiada que sua personagem, identificou-se muito com Sweetness. “O aspecto emocional de crescer é o mesmo. E, no fim, não é a condição econômica o importante.” Ela contou que ficou animada quando leu o roteiro. “Logo na página 2, há essa grande briga, e você não sabe o que está acontecendo. Isso é muito excitante. E o papel de uma garota de 17 anos que é protagonista, que não é a amiga de alguém, é um unicórnio em Hollywood”, afirmou, provocando risos.

Gabourey Sidibe comparou “Yelling to the Sky” com “Preciosa” – ambos são filmes sobre garotas tentando achar um caminho diferente daquele que supostamente estaria determinado para elas. “A semelhança é que não são histórias perfeitas e bonitinhas. Essa trama é feia, honesta e não fica tentando fazer você gostar dela. Acho ótimo porque minha vida nunca se pareceu com nada que Hollywood produziu. Coisas humanas têm vindo dos filmes independentes”, disse.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG