Em longa-metragem episódico feito para a TV, cineasta alemão evidencia falhas do sistema prisional e conta história de detentos

Quem já viu um documentário de Werner Herzog sabe que ele sempre tem um ponto de vista. Mas não daquele jeito aparecido de Michael Moore. Ouvimos sua voz, ele é muito claro e direto com seus entrevistados, mas não surge na tela. Em “Death Row”, feito para a televisão e exibido no Festival de Berlim 2012 em sessão especial, ele acompanha os casos de cinco condenados à morte nos Estados Unidos, divididos em quatro episódios.

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São eles: “Retrato de James Barnes”, sobre um homem preso pelo assassinato de uma mulher que, já na cadeia, admite outras mortes; “Hank Skinner”, em que o personagem nega veementemente ter assassinado a namorada e os dois filhos dela; “Linda Carty”, que não admite ter sido a cabeça do assassinato de uma moça e do sequestro de seu bebê; e “Joseph Garcia e George Rivas”, o primeiro, assassino de um homem, o segundo, ladrão em série, ambos envolvidos numa fuga espetacular da prisão que resultou na morte de um policial.

Herzog não discute a culpa – em alguns casos, permanece a dúvida se a pessoa cometeu o crime ou não, mesmo quando ela nega. Sendo “respeitosamente contrário à pena de morte”, o diretor quer mostrar a situação dessas pessoas à espera do fim e discutir esse sistema que mata pessoas como resposta a seus atos, muitas vezes comprovadamente hediondos.

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Há falhas evidentes nos processos que deixam de ouvir testemunhas fundamentais ou nas leis que condenam um rapaz a 15 prisões perpétuas por roubos sem feridos. Teria esse sistema tão cheio de erros o direito de tirar a vida de alguém? Para o cineasta alemão, a resposta é evidente: não.

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