Vinterberg volta à disfunção familiar com "Submarino"

Diretor oriundo do Dogma 95 foca personagens "submersos" da sociedade dinamarquesa

Orlando Margarido, enviado especial a Berlim |

Um dos nomes que surgiram com o movimento dinamarquês batizado de Dogma 95, Thomas Vinterberg está na competição do Festival de Berlim em circunstâncias similares que o consagraram com "Festa de Família", em 1998. Mais de uma década depois, ele apresenta "Submarino", filme adaptado de um livro homônimo de Jonas Bengtsson, também sobre uma tragédia familiar que gera outras.

"Venho de um país onde a família pesa para toda a vida", diz Vinterberg ao iG

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"Submarino" segue tipos marginalizados
Desta vez, a questão centra-se em dois irmãos que vivenciaram quando crianças a morte do caçula ainda bebê, por completo desinteresse da mãe alcoólatra e do pai ausente, de quem nunca nada é dito. Adultos, eles não se encontram na sociedade. Daí a referência ao título, original do livro, sobre pessoas que não conseguem se manter na superfície. Na entrevista apresentada no material do festival, há ainda uma relação com um método de tortura de prisioneiros, quando suas cabeças são mantidas submersas.

Na trama, Nick, o irmão mais velho é um tipo raivoso e descontrolado, que se apega à bebida e a uma amante casual para sobreviver. Recém-saído da prisão por ser violento com a namorada, mora num abrigo do governo. Seu irmão Ivan nao tem sorte melhor. Equilibra-se mal entre os cuidados com o filho pequeno, depois da morte da mulher num atropelamento, e o vício pesado com a heroína.

É um painel decadente este que nos Vinterberg nos mostra, mas nunca completamente pessimista, o que se evidencia nos olhares tristes e desolados do irmão e na candura e ingenuidade do pequeno Martin, espécie de anjo em meio àquela sordidez. Recebido com cautela pela imprensa, é um drama para dividir opiniões e por isso mesmo o mais interessante exibido até agora em concurso.

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