Veteranos Taviani mostram vitalidade em "Cesare Deve Morire"

Irmãos filmaram adaptação de peça de Shakespeare em prisão, com criminosos reais

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
Cena de "Cesare Deve Morire"
Os veteranos Vittorio, 82, e Paolo Taviani, 80, diretores de filmes como “Pai Patrão” e “Bom Dia, Babilônia”, mostraram vitalidade com “Cesare Deve Morire” ("César Deve Morrer", na tradução literal), único italiano na competição do 62º Festival de Berlim, exibido na manhã deste sábado (11) para jornalistas.

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Os dois encenaram uma versão livre da peça “Julius Caesar”, de William Shakespeare, na ala de segurança máxima na prisão de Rebibbia. Os atores são homens presos por atividades criminosas diversas, de tráfico de droga a assassinato e envolvimento com a máfia. A montagem é feita nos diferentes dialetos de cada um dos atores.

O teatro dentro do filme não é novidade, mas os Taviani, com a ajuda de atores maravilhosos descobertos entre aqueles prisioneiros, que têm uma relação próxima com as questões tratadas no texto, como poder, obediência ao chefe e assassinato, injetam muita energia no filme, que, claro, só não tem como investir tanto nas imagens.

Getty Images
Os irmãos Taviani
Na coletiva que se seguiu à exibição, os diretores falaram sobre o trabalho no presídio. “Conhecíamos a prisão de filmes americanos, mas, se você vai lá, torna-se um cúmplice. Começar a entendê-los, começamos a gostar de todos e nos tornamos quase amigos. Sabemos que eles sofrem na prisão pelo que eles fizeram”, disse Vittorio Taviani.

“Achamos que Julius Caesar seria uma boa escolha. Como fala de assassinato, de chefia, de poder, talvez possamos incluir sua experiência, sua personalidade, sua realidade na peça. É importante mostrar a vida, o trauma que eles passaram. Eles sofrem, sentem dor. A prisão é uma experiência terrível.”

Paolo Taviani ficou impressionado com o processo de testes, que sempre existe no filme dos irmãos. “Todos deram seu nome real e seu endereço verdadeiro. Eles sabiam que muitas pessoas poderiam ver, mas queriam dar seus nomes reais. Esses atores-prisioneiros recitavam, interpretavam, mas você poderia sentir sua dor verdadeira, seu passado. Esses atores eram capazes de comunicar de forma emocional.”

O ator Salvatore Striano, que interpreta Brutus e foi perdoado da prisão, contou um pouco sobre sua experiência, que começou com o trabalho do ator e diretor Fabio Cavalli na prisão. “Fiquei preso por oito anos, fui solto, comecei a trabalhar como ator. Shakespeare tem mensagens para mim, porque essas coisas aconteceram 2 mil anos antes, ele escreveu 500 anos. Mas os atores pedem perdão por meio dessa peça. Foi uma fantástica experiência.”

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