Único sul-americano na competição, argentino decepciona

"Un Mundo Misterioso" afunda na letargia e não chega a parte alguma

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
"Un Mundo Misterioso": história desinteressante, num dos filmes mais difíceis de aguentar em Berlim
Muitas vezes, os brasileiros sentem uma ponta de inveja dos hermanos argentinos – quando o assunto é cinema, claro. Não são poucos os exemplos de filmes produzidos no país que se destacam nos festivais internacionais e que encantam os nativos do Brasil e do mundo todo. No caso de “Un Mundo Misterioso”, de Rodrigo Moreno, único representante sul-americano na competição do Festival de Berlim 2011 , não há motivo para isso.

O segundo longa-metragem do diretor, exibido na tarde desta quarta-feira (16) para jornalistas, gira como vagalume em torno da luz, sem chegar a parte alguma. Na primeira cena, Boris (Esteban Bigliardi) acorda ao lado de Ana (Cecília Rainero). Ela pede um tempo. “Quanto tempo?”, pergunta o rapaz. “Dois dias, dois meses, um ano?”, continua. Perdido, ele se muda para um hotel, onde come pão com mostarda e ketchup. Compra um carro velho, azul-bebê, fabricado na Romênia na época do comunismo. Vai a uma festa, conhece algumas pessoas, entre elas Odette (Lucrecia Oviedo). Todos vão passar o Ano Novo no Uruguai, mas Boris só vai mais tarde. Quando chega, não os encontra.

O personagem à deriva é um símbolo da geração atual. Mas precisava ser tão desinteressante? Aparentemente, o diretor também quis tocar na crise econômica na Argentina, porém falta-lhe contundência, energia. Com tanta letargia, “Un Mundo Misterioso” foi dos filmes mais duros de assistir até agora nesse Festival de Berlim.

Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, o diretor Rodrigo Moreno negou que tenha desejado tratar de política – por exemplo, do fim das utopias. “Falo da minha geração porque nasci no ano em que nasci, no lugar em que nasci e cresci com as pessoas que cresci”, disse. “Mas, para mim, a questão do carro romeno, da União Soviética, é mais estética que política. É um absurdo você converter um carro dos anos 1970 em um carro dos anos 1990”, completou.

O diretor afirmou que filma com ideias preconcebidas. “Não penso no que a história representa, filmo a história. Não me interessam interpretações. Acho fantástico que o público as tenha. Se há algo que une os cineastas argentinos da minha idade é achar que a história que se está contando é suficiente.” Infelizmente, no caso de “Un Mundo Misterioso”, ela não era boa o bastante.

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