"The Future" usa clichês do cinema independente

Em Berlim, Miranda July retrata com superficialidade mundo contemporâneo

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
A diretora, roteirista, atriz e performer Miranda July em cena de "The Future"
Não há muito o que falar de “The Future”, de Miranda July (“Eu, Você e Todos Nós”), apresentado em sessão de imprensa no início da tarde desta terça-feira (15), na competição do Festival de Berlim 2011 . O longa foi recebido com aplausos (menos do que o iraniano “Jodaeiye Nader az Simin” , exibido pela manhã), o que de certa forma é surpreendente.

“The Future” tem todos os clichês do “filme independente americano” – o que era um modo de produção há muito virou um gênero. Personagens esquisitinhos, principalmente Sophie, vivida pela própria diretora, de uma geração perdida, sem futuro e sem propósito, mas que não é profundo o bastante para servir exatamente como retrato desse tempo. Uma trilha moderninha. E pouco mais do que isso.

Sophie e Jason (Hamish Linklater, do seriado “The New Adventures of Old Christine”) estão na faixa dos 35 anos e juntos há 4. Não têm filhos e não pretendem ter. Resolvem adotar um gato (que é o narrador da história), mas precisam esperar por um mês porque ele está sendo tratado. O problema é que, contrariamente ao que eles tinham pensado, pode ser que o bicho sobreviva mais que os seis meses que tinham em mente – um futuro muito longínquo para os dois. Tendo apenas “um mês de vida”, resolvem revolucionar sua existência aparentemente modorrenta, mudando tudo. Jason larga seu emprego e começa a vender árvores, para salvar o mundo. Sophie termina por trair o namorado.

AP
A diretora entre os atores Hamish Linklater e David Warshofsky
Há uma tentativa de discutir dilemas contemporâneos, como o medo de planos de longo prazo e de envelhecer sem ter feito tudo o que se queria (o que, naturalmente, é impossível de qualquer forma). Mas tudo fica na superfície, sem que haja uma visão realmente aguda sobre a superficialidade, como Sofia Coppola faz bem. A diretora cria imagens, muitas irreais, outras parecidas com performances artísticas, e as empilha sem que tenham coesão.

Na coletiva de imprensa logo após a exibição, a diretora Miranda July explicou o uso do gato como narrador. “É difícil falar de amor e perda de um novo jeito. Porque sempre falamos disso do mesmo jeito e até sentimos do mesmo jeito. Precisava falar dos sentimentos de forma nova para mim, porque talvez assim fosse novo para vocês também”, disse.

A cineasta também afirmou que usa coisas irreais porque “é mais fácil chegar à verdade se não vou diretamente em direção a ela”. Tanto o gato falante quanto o personagem capaz de parar o tempo faziam parte de uma performance chamada “Things We Don’t Understand and Definitely Are Not Going to Talk About”.

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