"The Forgiveness of Blood" contrapõe tradição e modernidade

Situado na Albânia, longa de Joshua Marston se destaca na competição

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
O ator albanês Tristan Halilaj em "The Forgiveness of Blood": briga entre famílias rivais
Lembra “Abril Despedaçado” a trama de “The Forgiveness of Blood”, de Joshua Marston (“Maria Cheia de Graça”), último filme da competição do Festival de Berlim 2011 , exibido na manhã desta sexta-feira (18) em sessão para a imprensa. O longa-metragem recebeu uma boa salva de aplausos ao final.

A história baseia-se no Kanun e nas vinganças entre famílias na Albânia, que inspiraram o romance de Ismail Kadaré, adaptado por Walter Salles. O adolescente Nik (Tristan Halilaj) está com o pai Mark (Refet Abazi), num bar, quando ele entra numa briga com membros de uma família rival. Todos os dias, Mark passa com sua carroça numa estrada que atravessa as terras de Sokol (Veton Osmani). Depois da discussão, Sokol fecha o caminho. Mark vai com seu irmão tomar satisfações, e os dois matam o sujeito. A partir daí, para mostrar respeito, ninguém da família pode deixar a casa. Os membros masculinos, inclusive Nik e o pequeno Dren, estão ameaçados de morte.

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A atriz Sindi Lacej, o diretor Joshua Marston e Tristan Halilaj na capital alemã
O diretor contrapõe a tradição albanesa com o drama do adolescente, que deseja sua liberdade, inclusive porque ele está apaixonado por uma menina. Claro que a obrigação de se esconder em casa atrapalha suas chances. Ele não terá medo de enfrentar seu pai – em tese, se Mark se entregar, haverá negociação com a família rival. Outro drama presente é o de sua irmã Rudina (Sindi Laçej), estudiosa, que quer ir para a universidade. Ela precisa assumir a venda de pães que ajuda a sustentar a família e deixa de ir à escola. O conflito, aqui, é entre a tradição e a modernidade.

Marston trata o tema com cuidado, focando nos conflitos individuais, desenhando bem os personagens, sem ser óbvio ou melodramático demais. É um dos filmes mais sólidos nesta competição mediana, mas não alcança o mesmo nível dos dois melhores longas, “Jodaeiye Nader az Simin” , de Ashgar Farhadi, e “A Torinói Ló” , de Béla Tarr.

Na entrevista coletiva que se seguiu à exibição, o ator Tristan Halilaj disse que essa ainda é uma realidade na Albânia, mas não tanto quanto no passado. “O Kanun não tem sido usado muito. Mas ainda há famílias que são afetadas.” O diretor Joshua Marston afirmou que não quis representar a Albânia como um país medieval. “Quis falar justamente do conflito entre essa tradição, que está sendo combatida, e a modernidade.” Ele disse que conhece o filme de Walter Salles e conversou com o diretor. “Amo o filme dele. Não foi uma referência, mas são muito diferentes estilisticamente.”

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