Sul-coreano quer apenas contar história de separação

"Faça Chuva, Faça Sol" traça retrato fiel das relações contemporâneas

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Divulgação
O sul-coreano "Come Rain, Come Shine", do diretor Lee Yoon-ki: casal infeliz
“Saranghanda, Saranghaji Anneunda” (Faça chuva ou faça sol, na tradução livre do inglês), do sul-coreano Lee Yoon-ki, exibido para jornalistas na manhã desta quinta-feira (17), segue um tema comum na competição do Festival de Berlim 2011 : relacionamentos e separações. Mas, diferentemente do favorito, o iraniano “Jodaeiye Nader az Simin” , de Ashgar Farhadi, que fala disso e de muitas outras coisas, este longa-metragem quer apenas contar uma história. Talvez seja pouco para um festival deste porte, mas o cineasta faz direito o que se propõe. Alguns jornalistas vaiaram, o que é um exagero, dada a baixa qualidade de grande parte dos outros concorrentes.

Na primeira sequência, um jovem casal está num carro a caminho do aeroporto. A mulher (Lim Soo-jeong) anuncia: está deixando o marido (Hyun Bin) assim que voltar da viagem a trabalho. Ele pergunta: “Você está decidida?”. Ela diz que sim. Ele esboça pouca reação. Na próxima cena, os dois estão na casa. Chove muito. O homem reservou um restaurante e separa louças, a mulher separa seus pertences.

Ele não demonstra nada, o que a deixa um tanto desconcertada. Tudo é muito civilizado, causando certa estranheza na plateia pela falta de emoção do personagem masculino. “Até hoje não sei se você é incapaz de sentir raiva ou se é bom em esconder tudo dentro de si”, diz a mulher a ele. De fato, não dá para saber. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de um retrato muito fiel de muitas relações – e separações – contemporâneas. Apesar de toda a retenção de emoção, ela está lá para quem quer ver.

Getty Images
O ator Bin Hyun, o cineasta Yoon-ki Lee e a atriz Soo-jung Lim no Festival de Berlim
Na coletiva de imprensa logo depois da exibição, o diretor disse que alternou as cenas da chuva com outras de sol (em que os personagens não aparecem), por causa da canção “Come Rain, Come Shine”. “Queria tornar o filme mais leve e ter uma brisa de ar fresco”, disse. A chuva, segundo ele, tornou-se a trilha sonora – não há música.

Indagado sobre o que achava que o público de seu país vai pensar, afirmou que não sabe. “O longa está sendo mostrado pela primeira vez, é difícil dizer o que o público coreano vai achar. Não é um filme mainstream, claro que gostaria que o máximo de pessoas visse.”

A produção sul-coreana é o terceiro concorrente em que a mulher deixa o homem. “Não acho que a Coreia do Sul seja muito diferente da América ou da Europa. Claro, há diferenças culturais”, afirmou o cineasta, quando indagado se as relações tinham mudado também no seu país. A atriz Lim Soo-jeong disse que eles discutiram bastante sobre os personagens. “Eu sempre falava: ‘Não seria mais fácil se eles brigassem, se chorassem? Para um ator, é muito difícil fazer esse tipo de papel, mas também muito desafiador.”

Hyun Bin disse que já é duro ter um papel tão grande – os dois personagens aparecem o tempo todo, praticamente sozinhos. “Se você tem de segurar as emoções, é muito mais difícil. Tivemos de ser minimalistas. Foi muito gratificante, porém.”

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