“Shadow Dancer” mostra agentes duplos no conflito da Irlanda do Norte

Dirigido por premiado documentarista, filme tem Clive Owen e Andrea Riseborough no elenco

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

A briga pela independência da Irlanda do Norte continua rendendo histórias. “Shadow Dancer”, de James Marsh, exibido fora de competição no Festival de Berlim 2012 , é uma adaptação do livro do jornalista Tom Bradby e livremente inspirada em fatos reais.

Collette (Andrea Riseborough, de "W.E." ) é traumatizada por, quando criança, ter mandado à venda seu irmãozinho, que acabou morto pelas forças inglesas. Sua família sempre foi militante do IRA – seu pai era um dos homens forte do movimento, e agora seus irmãos Gerry (Aidan Gillen) e Connor (Domhnall Gleeson) são dois dos principais ativistas, para desgosto da mãe (Brid Brennan).

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Por isso, apesar de criar sozinha um filho pequeno, Collette vive sendo recrutada pelos dois para ações como colocar uma bomba no metrô de Londres. Tudo sai errado, ela é capturada por Mac (Clive Owen), agente do MI5 que lhe dá, como única opção para escapar de ir à prisão por duas décadas, transformar-se em informante sobre as atividades de Gerry e Connor.

James Marsh, diretor de documentários elogiados como “Projeto Nim” (2011) e “O Equilibrista” (2008), vencedor do Oscar da categoria, começa o filme com muita força em termos de imagem, seguindo a protagonista por sua missão no metrô.

Getty Images
Owen e Risebrough no Festival de Berlim
Aos poucos, “Shadow Dancer” perde essa vitalidade em suas cenas, apesar da tensão crescente envolvendo a personagem. Mas não deixa de ser um bom drama sobre uma mulher dividida entre suas duas famílias: os irmãos e o filho.

Na coletiva de imprensa da tarde de ontem (12), Clive Owen comentou que foi interessante ir a Belfast, que agora está pacificada. “Você se esquece de como, até recentemente, era uma zona de guerra”, disse. A atriz Andrea Riseborough afirmou que esse tipo de história acontecia regularmente. “Por exemplo, todas as irmãs eram membros do partido e informantes ao mesmo tempo. Nem sei como alguém pode operar nesse nível de estresse.”

Os dois comentaram se precisam gostar dos personagens para interpretá-los. “Não preciso gostar dos personagens, mas preciso entendê-lo”, afirmou o ator. Andrea foi sucinta: “Minha resposta é: já interpretei Margaret Thatcher”, disse, referindo-se ao filme para televisão “Margaret Thatcher: The Long Way to Finchley”, de 2008.

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