Português "Tabu" é o filme mais ambicioso da competição

Dividida em duas partes, coprodução brasileira exige do espectador e homenageia Murnau

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

“Tabu”, do português Miguel Gomes, é daquele tipo de filme “ame-o ou deixe-o”. Muitos jornalistas abandonaram a sessão de imprensa na manhã desta terça-feira (14) no Festival de Berlim 2012 , mas a repercussão da coprodução Portugal-Alemanha-França-Brasil (por meio da Gullane Filmes) foi bem boa.

Divulgação
Ana Moreira e Carloto Cotta no filme português "Tabu", de Miguel Gomes, coproduzido com o Brasil
A recepção mista é bem compreensível: o longa-metragem exige muito do espectador com sua proposta formal ousada e narrativa pouco convencional. Sem dúvida, é o concorrente mais ambicioso da competição até agora. Dividido em duas partes, ele primeiro foca em Pilar (Teresa Madruga), que faz o possível para ajudar os outros, talvez para preencher sua vida solitária. Por exemplo, sempre socorre a vizinha, Aurora (Laura Soveral), que vive com a empregada cabo-verdiana Santa (Isabel Cardoso) e perde muito dinheiro no jogo.

Quando a octogenária Aurora se vai, Pilar fica encarregada de encontrar seu ex-amante, Ventura (Henrique Espírito Santo), que conta a história de seu amor, constituindo a segunda parte do filme, situada 50 anos antes, na África. A jovem Aurora (Ana Moreira), ótima caçadora, casa-se e mora numa fazenda. Um dia, aparece por ali Ventura (Carloto Cotta), que é amigo de um amigo do marido de Aurora. Apaixonam-se e vivem um amor proibido.

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O segundo episódio é rodado em preto e branco, como o primeiro, só que usando o 16 mm em vez de 35 mm, ganhando uma textura diferente, de produção antiga. Mas não há diálogos, apenas a narração do velho Ventura.

O filme inteiro fala de coisas que se foram, da dominação portuguesa na África, passando pelo grande amor de Aurora e Ventura e chegando ao próprio passado do cinema, com homenagens explícitas ao diretor F.W. Murnau, tanto no título quanto no nome da personagem.

Leia: Na metade, competição de Berlim tem filmes bons, mas não sensacionais

É difícil prever qualquer coisa a essa altura, numa competição morna , mas o júri será injusto se deixar “Tabu” de fora da premiação.

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